PSD improvisa liderança em plenários de comissões da Câmara

Sem definição sobre espaço físico para bancada, partido usa salas para despachar, elaborar proposições e treinar funcionários

Fred Raposo, iG Brasília |

Fred Raposo, iG Brasília
Cartaz da liderança do PSD colocado em frente a um dos plenários na ala de comissões da Câmara dos Deputados
Às vésperas da retomada dos trabalhos no Congresso, o recém-criado Partido Social Democrático (PSD) - quinta maior bancada da Câmara, com 47 parlamentares em exercício - vem usando três plenários das alas de comissões da Casa como gabinete improvisado para sua liderança e assessoria técnica.

Os plenários não recebem sessões das comissões desde dezembro, quando o Congresso entrou em recesso. Desde o último dia 16, no entanto, as salas servem de base para o PSD fazer despachos, elaborar proposições, promover reuniões de deputados e treinar funcionários que preencherão vagas criadas pela Casa para atender a liderança da legenda.

“A situação é muito precária”, diz o deputado Geraldo Thadeu (PSD-MG). “O partido entende que é a questão do espaço é uma nova também para a Câmara. Mas, pelo tamanho da nossa bancada, achamos que o partido merece tratamento melhor e um espaço que atenda plenamente a todas as nossas necessidades”.

Desde outubro o PSD pressiona por espaço na Câmara. Mas, sem chegar a um acordo com o comando da Casa, o partido se instalou nos plenários 3, 4 e 5 da ala de comissões. No fim do ano passado, as salas receberam reuniões, por exemplo, das comissões de Finanças e Tributação, de Fiscalização Financeira e de Desenvolvimento Econômico.

Servidores que já atuam na liderança reclamam que a falta de estrutura prejudica a estruturação do partido. “Os plenários são equipados com apenas um computador cada”, assinala o coordenador da assessoria jurídica do PSD, Cristiano Monteiro de Souza. “A gente se vira como pode. Às vezes alguém traz um notebook de casa ou pede a um colega de outro gabinete para usar a impressora”.

Apesar do espaço restrito, o partido ministrou treinamento de cerca de 70 horas para candidatos a ocupar um dos 66 cargos que foram criados para atender a liderança este ano – outros 40 postos serão preenchidos em 2013. “As aulas abordaram assuntos como processo legislativo, regimento interno, Constituição e história do partido”, conta o chefe de gabinete da liderança do PSD, Fernando César.

Briga pela t aquigrafia

No ano passado, a Câmara criou um grupo de trabalho que, entre outras atribuições, definiria o espaço físico que o PSD ocuparia na Casa. Fernando César explica, contudo, que o local oferecido à legenda - de cerca de 200 metros quadrados, onde hoje funcionam cinco órgãos, entre eles três lideranças de outros partidos -, foi rejeitado. O PSD revindica um dos três andares de onde fica a taquigrafia da Casa, junto ao túnel que conduz ao Salão Verde.

Segundo o chefe de gabinete, o espaço na taquigrafia mede cerca de 300 metros quadrados, área menor do que o gabinete que o Senado designou para o recém-empossado Jader Barbalho (PMDB-PA) , de aproximadamente 320 metros quadrados. “O espaço da taquigrafia é próximo ao Plenário e também das comissões", ressalta Fernando César. "É onde a mudança terá menor impacto administrativo e político, pois mexeria com menos setores da Casa”.

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