Prefeito de São Paulo encontra presidenta para demonstrar apoio e sinalizar a aliados que partido tem respaldo do Planalto

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, fundador do PSD
AE
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, fundador do PSD
O prefeito paulistano Gilberto Kassab (ex-DEM) vai usar o PSD para ajudar o governo a enfrentar a crise política na base aliada. Ao mesmo tempo, ele quer demonstrar que tem o apoio da presidenta Dilma Rousseff para finalizar o processo de criação da nova sigla na Justiça Eleitoral. Ele desembarca esta quarta-feira, em Brasília, para encontros no Congresso e uma visita no Palácio do Planalto.

Com Dilma, Kassab deve estar nesta quinta-feira. E não vai sozinho. O prefeito levará, pela primeira vez, deputados, senadores e líderes regionais que apoiam a criação do PSD. Candidato a vice-presidente na chapa de José Serra (PSDB) em 2010, o ex-deputado federal Indio da Costa (RJ) é um dos que aliados de Kassab que irá ao encontro com Dilma.

“Seremos, no mínimo, 20 lideranças. Vamos mostrar à presidenta que o nosso partido está sendo criado e que temos compromisso com a governabilidade”, disse Indio. Responsável pela seção do partido no Rio, ele negou, porém, que o PSD será totalmente governista. “Existem várias correntes. O partido ainda está em formação”, completou.

Oriundo do DEM, o ex-deputado fez oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), e ao governador Sérgio Cabral (PMDB). Aos dois últimos, Indio da Costa já se declara aliado. “Vou apoiar a reeleição do Paes. É forte a ligação do PSD com o PMDB no Rio”, disse o ex-deputado, que desistiu do projeto de disputar a prefeitura carioca.

Sobre o governo Dilma, Indio da Costa afirmou estar impressionado positivamente. “Está muito melhor do que eu esperava. Ela está combatendo a corrupção e colocando em prática projetos que prometeu”, disse. Apesar dos elogios, o ex-vice disse que integrará “o campo da oposição responsável” e que apoiaria Serra de novo se ele fosse candidato a presidente.

Também aliada do projeto do PSD, a senadora Kátia Abreu (de saída do DEM) afirmou que não poderá ir ao encontro com Dilma, mas é a favor da iniciativa. “Vamos trabalhar pela governabilidade dar apoio ao combate à corrupção neste momento em que há problemas na base. Sabemos de setores do PT que não gostam dela. Podemos ajudar”, disse

Adversário direto do projeto de criação do PSD, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou que Kassab busca apoio com Dilma para tentar evitar uma demandada de aliados com receio das dificuldades jurídicas para a criação do novo partido. “Ele está com sérios problemas. O encontro com a presidenta é para dar um sinal de que ele tem o apoio do Planalto. Na minha opinião, não vai dar certo", disse.

Para ganhar registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a tempo de disputar a eleição municipal de 2012, o PSD precisa apresentar até o começo de outubro cerca 500 mil assinaturas de apoio à criação da sigla. Desse total, é preciso, no mínimo, contar com eleitores de nove unidades da nove estados que representem pelo menos 0,1% do eleitorado do daquele Estado ou Distrito Federal.

Desde que começou a coletar assinaturas, o PSD enfrentou denúncias de fraudes e irregularidades. Em Santa Catarina, foram usados os nomes de quatro pessoas mortas . O DEM e PTB têm ingressado com ações contra o partido. “Mas a maioria das vezes é só para atrasar o processo. Tem coisa que não tem fundamento”, reclamou o senador Sérgio Petecão (AC), que vai deixar o PMN rumo ao PSD.

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