Prova de alfabetização de Tiririca é insatisfatória, diz promotor

Maurício Lopes afirma que não viu 30% de acerto no ditado, mas admite que deputado eleito se saiu bem na parte de leitura

Piero Locatelli, iG São Paulo |

O promotor eleitoral Maurício Lopes não ficou satisfeito com o resultado do teste feito pelo deputado federal eleito Francisco Everardo Oliveira Silva, conhecido como Tiririca, nesta quinta-feira para mostrar que não é analfabeto. Tiririca foi submetido a um ditado em processo que corre na Justiça Eleitoral de São Paulo. Segundo o promotor, o resultado apresentado não foi suficiente para concluir que Tiririca não é um analfabeto funcional.

“Pela jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em situações análogas o tribunal considerou que seria considerado alfabetizado quem tivesse acertado 30% de um teste. Eu não vi esses 30% de acerto no ditado”, disse o promotor. Segundo Lopes, Tiririca foi mais proficiente no teste de leitura a que também foi submetido.

A frase ditada foi extraída aleatoriamente de um livro da Justiça Eleitoral. “A promulgação do código eleitoral em fevereiro de 1932 trazendo como grandes novidades a criação da Justiça Eleitoral”. As manchetes foram “Procon manda fechar lojas que vendem produtos vencidos” e “O tributo final a Senna”. Para ser candidato no Brasil uma pessoa tem que ser alfabetizada e o Ministério Público levantou a suspeita de que ele não seria alfabetizado. O teste foi feito na manhã desta quinta-feira nas instalações do TRE-SP.

“Na avaliação de Maurício Lopes, o fato de Tiririca ser ou não analfabeto funcional não é a principal, e sim a de que ele teria cometido um crime de falsidade ideológica quando apresentou a documentação necessária para candidatar-se à Câmara: “O mais importante é que o documento (para provar alfabetização) que tinha que ser escrito de próprio punho não foi escrito de próprio punho". Os defensores do deputado eleito alegam que ele é alfabetizado, mas que, ao se candidatar, ele contou com a ajuda da mulher para redigir a declaração por ser portador de síndrome que o impede de unir o indicador e polegar.

A audiência desta quinta-feira durou cerca de 12 horas, e o teor das declarações não foi divulgado. O juiz Aloízio Silveira, da primeira zona eleitoral, não proferiu a sua sentença nem sinalizou sobre quando o fará.

O promotor diz ainda que vários requerimentos formalizados pelo Ministério Público para produzir provas foram indeferidos pelo juiz. O promotor adiantou que vai entrar com mandato de segurança até a próxima terça-feira para pedir a quebra do sigilo bancário e fiscal de Tiririca, que é suspeito de ter ocultado bens na sua documentação de candidato.

    Leia tudo sobre: tiriricaeleiçõesdeputado

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG