Promotor diz que júri é 'vitória da tese de crime político' do MP

Francisco Cembranelli achou adequada a pena de 18 anos para o réu e disse que continuará sustentando a versão do MP

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

O promotor Francisco Cembranelli comemorou nesta quinta-feira a c ondenação do primeiro acusado pelo assassinato do ex-prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, e afirmou que a sentença de 18 anos é uma “vitória da tese de crime político defendida pelo Ministério Público de São Paulo” desde o início do caso.

AE
O promotor Franciso Cembranelli, que particiou do julgamento do primeiro acusado pela morte de Celso Daniel, assassinado em 2002
O promotor considerou adequada a pena de 18 anos de prisão atribuída ao réu Marcos Roberto Bispo dos Santos e afirmou que a sentença servirá de exemplo para os futuros julgamentos dos outros réus envolvidos no caso. “O MP várias vezes que havia arrecadação de fundos para campanhas eleitorais e um desvio de recursos em quantidade bastante grande para contas pessoais. Essa tese foi acolhida pelo júri. As pessoas acabaram enriquecendo e ostentando essa riqueza. Esse grupo criminoso viu em Celso Daniel um tremendo obstáculo para a continuidade do esquema”, destacou o promotor.

Cembranelli afirmou ainda que continuará sustentando a versão investigada pelo MP, mesmo que os advogados dos outros réus continuem insistindo na tese de crime comum, apurada pela Polícia Civil de São Paulo na época do assassinato, em 2002. “A versão do Ministério Público, que é a versão verdadeira, começou a ser apresentada hoje à sociedade e seu acolhimento com a conseqüente condenação do acusado, mostra que o caminho é esse mesmo. E a versão admissível é essa que está posta”, afirmou.

Sobre as críticas feitas pelo advogado de defesa do réu, que afirmou ao fim do júri que o caso fora resolvido pela fama e pelo “Ibope alto” do promotor , Cembranelli diz que o caso foi uma vitória de todos os promotores que ajudaram nas investigações. “Não me vejo como um vencedor. Eu apenas faço o que a lei me autoriza a fazer e não sou um jogador no plenário do júri. Respeito a opinião de cada um, mas esse foi um trabalho de equipe desde um primeiro momento, um trabalho muito bem feito”, rebateu.

Julgamento
O julgamento de Marco Roberto Bispo dos Santos durou cerca de sete horas e condenou o réu a 18 anos de prisão por participação no assassinato de Celso Daniel, em 2002. De acordo com a tese da promotoria acolhida pelos jurados, Bispo foi a pessoas que dirigiu a Blaiser que transportou Celso Daniel na noite em que ele foi seqüestrado.

A promotoria também afirmou que o roubo da Blaiser foi feito a mando do próprio Bispo, que também teria estado no cativeiro do ex-prefeito de Santo André, além de ter presenciado a morte da vítima. A tese foi acolhida integralmente pelos jurados, agravando ainda mais a pena do acusado.

Bispo está foragido desde sexta-feira, quando o juiz da 1ª Vara Criminal de Itapecerica da Serra decretou sua prisão temporária, por não encontrá-lo no endereço informado para convocá-lo ao julgamento. A sessão aconteceu sem a presença do réu. Segundo a defesa, ele já cumpriu oito anos de prisão preventiva e não compareceu à audiência também por medo de ser preso sem a chance de defesa. Se decidir se entregar, o réu terá que cumprir o restante da pena em regime fechado.

Divulgação
Marco Roberto Bispo dos Santos, condenado nesta quinta-feira a 18 anos de prisão por participação na morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel
O júri desta quinta-feira pode ser decisivo para os demais acusados pelo crime. Além de Marcos Roberto Bispo dos Santos, outros seis acusados ainda vão a julgamento nos próximos meses. O juiz de Itapecerica da Serra que acompanha o caso disse que não é possível precisar quando se darão esses julgamentos. Entretanto, os prazos do Tribunal de Justiça indicam que os outros acusados só deverão ir a júri em 2012.

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