Procuradoria investiga doações irregulares

Representação inclui nomes de políticos como o governador Geraldo Alckmin e seu vice Guilherme Afif, além de mais 15 nomes

iG São Paulo |

A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo (PRE-SP) entrou com representações na Justiça Eleitoral do Estado contra 17 candidatos eleitos para apuração de irregularidades na captação de recursos de campanha. Entre eles, está o governador eleito Geraldo Alckmin, acusado de receber R$ 700 mil em doações ilegais, e seu vice, Guilherme Afif Domingues (DEM). Se comprovada, a doação irregular pode levar à cassação do cargo do político.

A Procuradoria alega que a UTC Engenharia, com sede em São Paulo, tem contratos com a Petrobras no Rio de Janeiro, Paraná, em Minas Gerais e na Bahia. A doação de R$ 700 mil foi feita ao comitê financeiro do PSDB, que repassou o recurso à campanha de Alckmin. A legislação eleitoral não permite que concessionárias de serviço público doe dinheiro para campanhas.

Em nota, a PRE-SP afirma que “o mero ajuizamento das ações não implica em juízo de responsabilização direta de quaisquer dos candidatos, mas apenas a deflagração do procedimento legalmente previsto para a apuração dos fatos, permitindo a colheita de provas e a defesa dos candidatos eleitos”.

Investigações


Uma das representações pede apuração nas contas do senador eleito Aloysio Nunes (PSDB) e seus suplentes por terem recebido R$ 300 mil da UTC Engenharia e R$ 100 mil da Interfarma. O ex-líder do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vacarezza, também terá suas contas investigadas por ter recebido R$ 200 mil da UTC Engenharia e R$ 150 mil da Interfarma.

As contas da campanha do tesoureiro do PT na campanha de Dilma Rousseff , deputado federal José de Filippi Junior, serão apuradas pelo fato de ele ter recebido R$ 150 mil da UTC Engenharia. Filippi também recebeu R$ 3 mil do Centro Cultural Okinawa do Brasil, considerado uma entidade esportiva, setor que também é proibido de doar para campanhas.

Uma doação de R$ 100 mil da UTC Engenharia foi responsável pela investigação das contas de campanha do vice-presidente do Diretório Nacional do PT, Rui Falcão, eleito deputado federal por São Paulo.

Outros políticos que terão as contas investigadas pela PRE-SP por motivos diversos são os deputados federais eleitos Carlos Alberto Rolim Zarattini e Janete Pietá (PT), Guilherme Campos Junior (DEM), Nelson Marquezelli (PTB), Aline Corrêa (PP); os suplentes de deputado federal Ocimar Donizeti Leo Oliveira (PMDB), Daniel Caldeira Mateus (PSL), Julio Theodoro (PP), Sérgio Nechar (PP), Walter Feldman (PSDB), Eleuses de Paiva (DEM); e suplente de deputado estadual Geraldo Vinholi (PSDB).

Defesa

A assessoria de imprensa do PSDB informou que o partido não pode se posicionar "porque ainda não foi notificado oficialmente". Apesar disso, o partido lembra que a empresa não presta serviço público. A sigla pretende se pronunciar nesta quarta-feira (12).

O senador eleito Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) afirmou por meio de nota que recebeu doações de campanha da UTC e da Interfarma e que "as contas da campanha foram aprovadas sem ressalvas". Sobre a doação de R$ 100 mil da Interfarma, afirmou que "ficou entendido que era possível" receber o montante da entidade.

Janete Pietá informou que apresentou sua defesa quando sua prestação foi questionada e, depois disso, o TRE aprovou suas contas. O deputado Cândido Vaccarezza informou que a arrecadação e os gastos de sua campanha foram feitos "rigorosamente dentro da lei". O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) rebateu o questionamento do Ministério Público e disse que o órgão está equivocado.

* Com Agência Brasil e AE

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