Procurador-geral vai ao STF para investigar Demóstenes

Senador é suspeito de envolvimento em negociatas com o empresário do ramo de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira

iG São Paulo |

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para investigar o ex-líder do DEM no Senado Demóstenes Torres (DEM-GO) e outros parlamentares suspeitos de ligação com o empresário do ramo de jogos de azar Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

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O pedido de investigação chegou ao STF na noite desta terça-feira. Nesta quarta-feira, o Supremo fará o sorteio do ministro relator que dará o aval para o procedimento investigatório. No pedido também pode ser mantido ou não o segredo de Justiça do caso.

A decisão de Gurgel ocorreu após o aumento da pressão de líderes no Senado. O corregedor do Senado e os líderes do PDT e do PSB na Casa se somaram hoje às vozes que pedem à Procuradoria-Geral da República informações sobre o possível envolvimento do senador Demóstenes nas denúncias.

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Ex-líder do DEM Demóstenes Torres nesta terça-feira em seu gabinete no Senado

O líder do PT, Walter Pinheiro (BA), informou que vai enviar novo pedido de esclarecimentos sobre o caso Cachoeira ao procurador-geral, Roberto Gurgel, que não se manifestou sobre o primeiro. Desta vez, o ofício será assinado também pelo pedetista Acir Gurgacz (RO) e por Lídice da Mata, do PSB da Bahia. Na segunda-feira, os senadores Pedro taques (PDT-MT), Ana Amélia (PP-RS) e Jorge Viana (PT-AC) haviam cobrado, em Plenário, explicações de Demóstenes sobre as acusações.

O Corregedor do Senado, Vital do Rêgo (PMDB-PB), confirmou ter enviado a Gurgel solicitação para ter acesso a relatório da Polícia Federal que supostamente registra conversas entre Demóstenes e Cachoeira, preso em fevereiro acusado de bancar o jogo do bicho e máquinas caça-níqueis.

Possível expulsão

Ex-líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO) pode ser expulso de seu partido. A possibilidade foi levantada novamente hoje pelo presidente nacional da sigla, senador José Agripino Maia (DEM-RN), que assume a liderança da bancada na Casa. Em entrevista ao Pode Online publicada no último domingo, Agripino já havia admitido a possibilidade de expulsão de Demóstenes Torres .

Demóstenes é suspeito de envolvimento em negociatas com o empresário do ramo de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Escutas telefônicas mostraram, por exemplo, o senador pedindo dinheiro a Cachoeira para bancar uma viagem de táxi aéreo.

A revista Carta Capital do último fim de semana publicou o que afirma ser o teor de um relatório da Polícia Federal, no qual Demóstenes é acusado de receber recursos do esquema. Reportagem do jornal O Globo fala de um pedido de dinheiro feito pelo senador goiano ao contraventor. Semanas atrás, Demóstenes havia sido acusado de receber presentes e de trocar cerca de 300 telefonemas com Cachoeira, conforme informações da Polícia Federal.

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Chico Alencar, Ivan Valente, Randolphe e Paulo Rubens Santiago chegam à Procuradoria

Conselho de Ética

O senador Demóstenes pode enfrentar, ainda, processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado. De acordo com o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), seu partido vai pedir a abertura de investigação contra o ex-líder. Randolfe disse que tomará esta decisão se o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), não encaminhar o caso envolvendo Demóstenes ao colegiado.

"Se o presidente Sarney não pedir, torna-se inevitável. O PSOL pedirá e vou convidar outros colegas a assinarem conosco", afirmou Randolfe. Ele disse que chegou à reunião com Gurgel "cético" e saiu "satisfeito".

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), disse que, se ficar comprovado o envolvimento de parlamentares em negócios ilícitos com o bicheiro, não haverá como o partido deixar de apoiar o pedido de abertura de processo no Conselho de Ética. "Nós não temos dois pesos e duas medidas", afirmou.

(Com informações da AE, da Agência Senado, e reportagem de Wilson LIma, iG Brasília)

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