Pressão de Sarney no MA pode rifar acordo PT-PCdoB

Partido de Dilma Rousseff aprovou apoio à candidatura de Flávio Dino, do PCdoB, mas PT pode anular acordo e fechar com Roseana

Andréia Sadi, iG Brasília |

Aliado histórico de Lula, o PCdoB conseguiu por 87 a 85 votos a benção do PT no Maranhão, no final de março, para lançar a candidatura do deputado federal Flávio Dino ao governo. Unidos, PT e PCdoB contam ainda com o apoio do PSB. Mas Dino corre o risco de perder o apoio do PT para o PMDB da governadora, Roseana Sarney. Adversário político de Dino, o clã Sarney pressiona o presidente para revogar o apoio do PT e trabalha para que Dilma suba no palanque de Roseana. 

O PT já dá sinais de que deve ceder ao clã. Para o próximo 22, o partido no Estado marcou uma nova reunião para debater o assunto. A especulação é a de que o partido de Lula anule o apoio ao PCdoB e feche com Roseana. 

Em conversas reservadas com dirigentes petistas, Dino chegou a dizer, antes da votação do diretório estadual, que não abandonaria a disputa nem com apelo de Lula. No entanto, isolado na composição de alianças, a tendência é que o PCdoB abandone a candidatura própria. 

Em entrevista ao iG, o deputado federal Flávio Dino descarta abandonar a candidatura por vontade própria. Aceita, inclusive, que Dilma suba nos dois palanques no Estado, mas só admite sair de cena caso não tenha respaldo do partido. Ele disse que um eventual redesenho dos quadros no Maranhão vai depender dos aliados. “Mas eu voltar atrás, muito pelo contrário, eu tenho cada dia mais convicção dela”, disse. 

Apesar de levar a vice de Dilma, o PMDB não deve dar palanque ao PT em algumas regiões, como São Paulo e Rio Grande do Sul. Dino apóia o acordo nacional com o partido, mas defende que Dilma não fique “refém” do PMDB nos Estados, como no caso do Maranhão. “Eu não discuto aliança nacional com PMDB. Agora, isso não se transporta mecanicamente para os Estados. Nós respeitamos a aliança nacional com PMDB, mas há autonomia nos Estados”, defende Dino. 

Mesmo que a ordem de cima para baixo do PT seja pelo apoio a Roseana, o deputado acredita que a militância no Estado não o abandonará. “Eu tenho a convicção de que, hoje, 80% dos petistas não só estão comigo como estão entusiasmados com minha candidatura. Estamos aguardando e lutando contra essa tentativa absurda de reverter aquilo que foi decidido em março”, avaliou. 

Posição nas pesquisas

Atualmente, Dino registra em torno de 15% de intenção de votos contra 45% de Roseana. “Tenho uma perspectiva de crescimento muito grande, o que talvez explique esse pânico que a minha pré-candidatura enfrenta ao ponto de justificar um ato totalmente despropositado”, queixou-se o deputado à reportagem.

Para Dino, o PMDB de Roseana elegeu como prioridade o apoio do PT apesar de agregar um leque de alianças que vai além do campo Lula. O PV, DEM, PTB e PR são alguns dos partidos que apóiam a governadora. O deputado ironizou: ‘Ela vem perseguindo o apoio do PT. Já tem aliados de sobra, tempo de TV de sobra.” 

Além de Roseana e Dino, o governador cassado do Estado Jackson Lago (PDT) também quer entrar na disputa. No entanto, no seu palanque deve subir o principal adversário do PT de Dilma, o tucano José Serra.

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