Presidente do DEM atua para conter saída de aliados de Kassab

Agripino quer viajar o País para fazer movimento de desfiliação refluir. Nesta quarta, ele deve se reunir com aliados do prefeito

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Recém-eleito presidente do DEM, o senador José Agripino (RN) pretende realizar uma série de viagens pelo País para fazer refluir o movimento de desfiliação de políticos do partido. Antes mesmo de dar início à estratégia, ele já contabiliza êxitos. “Sou um conciliador. Quero unir as facções do partido. Acredito que menos gente vai sair do que se imaginava”, disse.

AE
O antigo presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, e o recém eleito, José Agripino
Nesta quarta-feira, Agripino deverá se reunir com aliados do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (SP), para negociar a permanência deles no partido. É também possível um encontro com o próprio Kassab, mas até a noite desta terça-feira (15) não havia sido definida nenhuma agenda. “Kassab ainda não me telefonou”, afirmou o presidente do DEM.

O prefeito faltou à convenção do partido realizada em Brasília nesta terça-feira. Após ter sido empossado no cargo, Agripino comemorou a decisão de aliados próximos do prefeito paulitano em permanecer na sigla. Dos oito deputados federais do DEM paulista apenas um garantiu até agora que irá acompanhar o prefeito paulistano. Trata-se de Guilherme Campos (SP).

Walter Ioshi (SP) e Eleuses Paiva (SP) também cogitam seguir os passos de Kassab, mas têm um problema: ambos são suplentes de deputados do PSDB que estão em postos de secretário do governo de São Paulo. Se o governador Geraldo Alckmin resolver retaliá-los, poderá devolver os titulares para a Câmara. Desse modo, os dois ficariam sem mandatos.

Do restante de deputados paulistas o mais simbólico a decidir ficar no DEM foi Rodrigo Garcia. No fim dos anos 1990, Rodrigo e Kassab faziam campanhas em parceria. Enquanto ele disputava a Assembleia Legislativa de São Paulo, o prefeito concorria à Câmara dos Deputados.

Ainda estão em dúvida os deputados do DEM-SP Eli Correa Filho e Jungi Abe. “Ainda estou analisando. Tenho grande gratidão pelo Kassab, mas temos de pensar em tudo”, disse Eli Corrêa, que marcou presença na eleição de José Agripino. Jorge Tadeu Mudalen e Alexandre Leite já anunciaram que não vão acompanhar o prefeito se ele deixar o partido.

Fora de São Paulo, o movimento pró-Kassab também refluiu. O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, anunciou que fica no partido. Ele é aliado político de Jorge Bornhausen (SC), que também fez movimentos para deixar o DEM mas agora diz querer ficar na sigla. O principal objetivo dele era provocar a saída de Rodrigo Maia do comando do partido.

Até agora, a principal interessada em seguir os passos de Kassab é a senadora Kátia Abreu (TO). Nesta terça-feira, ainda durante a convenção do DEM, ela defendeu o prefeito paulistano com declarações publicadas no Twitter . “Kassab é um bom gestor”, disse. Ela ainda criticou o ex-presidente do DEM Rodrigo Maia. “Quase destruíram o DEM”, afirmou.

Desde o fim do ano passado, Kassab estuda a saída do DEM. Ele planejou criar um novo partido, o PDB, para que não fosse acusado de infidelidade partidária. O projeto seguinte seria fazer com que o pequeno partido se fundisse ao PSB. A falta de segurança jurídica da operação tem causado dúvidas nos que desejam acompanhar Kassab, por isso o movimento perdeu força nos últimos dias.

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