Presidente da Câmara de BH diz que jornalistas ganham mais que vereadores

Para defender aumento salarial, Léo Burguês compara salários; vereadores ganham R$ 9,2 mil e o piso sindicato dos jornalistas em MG é de R$ 1.708

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Em uma entrevista coletiva tumultuada no final da tarde desta quarta-feira (01), o presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Léo Burguês (PSDB), afirmou que jornalistas ganham até três vezes mais que os vereadores.

Hoje, o salário de vereadores é de R$ 9,2 mil. De acordo com o Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, o piso salarial para uma jornada de cinco horas em vigor, neste ano, é de R$ 1.708.

Com o aumento desejado pelos vereadores, o salário chegaria a R$ 15 mil.

“Um jornalista de, provavelmente, todas as emissoras que estão aqui, ganham (sic) duas ou três vezes mais”, disse o vereador, provocando reações dos repórteres.  Um assessor do presidente entrou em conflito com repórteres ao opinar durante a entrevista e Burguês chegou a pedir desculpas para o repórter de uma rádio pelo incidente.

Burguês ainda citou que secretários municipais na capital ganham R$ 13 mil "na canetada”.

“O secretário entra na canetada e o vereador entra com o voto popular”, disparou.

Burguês vive uma crise na Câmara Municipal de Belo Horizonte. O prefeito da capital mineira, Marcio Lacerda (PSB), vetou aumento de 62% para vereadores há cerca de 10 dias por causa de pressão popular e as relações entre os dois poderes enfrenta turbulência.

Além deste veto, há outros cerca de 60 para serem votados pelos vereadores. “Não há como negar uma grave crise, não só aqui, mas em várias casas legislativas. Há uma desconexão da Câmara Municipal com a sociedade”, afirmou em plenário o vereador Fábio Caldeira (PSB), correligionário de Lacerda.

Saiba mais sobre o aumento dos vereadores:

Em BH, vereadores enfrentam protesto após aumento de salário

Promulgação de reajuste para vereadores nunca foi cogitada, diz prefeito de BH

Lacerda veta aumento para vereadores em Belo Horizonte

O desconforto pelo veto de Lacerda ao aumento salarial gerou manifestações de parlamentares, que prometem retaliação. Toninho Pinheiro (PtdoB), por exemplo, condena que os vereadores tenham salários menores que secretários adjuntos, com vencimentos mensais de R$ 10,8 mil.

Leonardo Mattos (PV) foi mais longe. Favorável ao aumento de 62%, vetado pelo prefeito, ele avisou que encaminhará ainda neste mês um projeto de lei para diminuir os salários do prefeito e dos secretários municipais. Em discurso no plenário, ele falou em “sucateamento” e desrespeito à Casa Legislativa. Prefeito tem salário aproximado de R$ 20 mil e secretários R$ 13 mil.

De oposição, o vereador Iran Barbosa (PMDB) disse ter certeza que há uma turbulência entre os dois poderes. No plenário, ele condenou que obras para a Copa de 2014 sejam custeadas com empréstimos, enquanto os impostos da população são gastos para pagamento de folha de servidores comissionados. “Nossos impostos servem para pagar 28 mil funcionários não concursados, que representa 2% da população economicamente ativa. Para cada 100 pessoas, duas trabalham na prefeitura sem concurso”, criticou.

Cerca de 60 vetos na pauta

De acordo com o líder de governo, Tarcísio Caixeta (PT), há cerca de 60 vetos do prefeito para serem analisados nas próximas reuniões. Ele nega que os vetos representem desconforto entre os dois poderes. “O prefeito não faz veto político. Houve muitos vetos porque a produção da casa foi muito grande”, alega. Em discursos, os vereadores Cabo Júlio (PMDB) e Paulinho Motorista (PSL) criticaram vetos de Lacerda a projetos de lei de suas autorias. Os projetos dizem respeito, respectivamente, à restrição de anúncios eróticos em jornais e de cronômetro em sinais.

Na tentativa de minimizar o estrago feito por manifestações contra o aumento salarial, o presidente daCâmara informou que colocará à disposição do Ministério Público e do Tribunal de Contas do Estado suas despesas custeadas com a verba indenizatória. Ele avisou que pretende colocar em votação o veto do prefeito até o próximo dia 8. Uma comissão para avaliar o veto foi instituída por Burguês nesta quarta-feira (01). “Devo frisar que baterei para que minha honra permaneça limpa e tranquila. Afinal, me pauta a segurança de quem é filho e pai honesto, sério e trabalhador”, finalizou em discurso no plenário.

Manifestação com marchinha

No primeiro dia de trabalhos, os vereadores enfrentaram protestos de manifestantes, na porta da Câmara Municipal. Munidos de apitos e com cartazes, os jovens pressionam para que os vereadores mantenham o veto do prefeito, referente ao aumento salarial.

nullUma marchinha de Carnaval referente ao uso da verba indenizatória pelo presidente da casa, Léo Burguês (PSDB), foi trilha sonora dos manifestantes. Burguês teria utilizado R$ 62 mil para comprar lanches no buffet de sua madrasta, o que foi alvo de reportagem do jornal O Tempo . “A grana da população foi parar na cozinha da madrasta”, diz trecho da marchinha.

Alvo de censura de Burguês, a marchinha vem sendo divulgada em redes sociais. O advogado do presidente da câmara entrou em contato com o compositor Fávio Henrique para que ele retirasse a marchinha da internet, oque foi acatado. Mas a música ainda circula na internet.“É uma tentativa de cercear a criatividade”, criticou em plenário o vereador petista Arnaldo Godoy.

    Leia tudo sobre: câmara BHaumento salarialjornalistasvereadores

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG