Presidente da Assembleia no PR faz nova acusação sobre vigilantes

Parlamentares dizem que ¿poder paralelo¿ foi desmantelado no Legislativo paranaense

Luciana Cristo, iG Paraná |

Um dia depois de determinar que a Polícia Militar (PM) assumisse a segurança da Assembleia legislativa do Paraná e demitir os funcionários que atuavam como a polícia legislativa da Casa, o deputado estadual e presidente da Assembleia, Valdir Rossoni (PSDB), fez uma nova acusação contra seus ex-funcionários, desta vez especificamente contra o presidente do Sindicato dos Servidores do Legislativo (Sindilegis), Edenilson Ferry. Os vigilantes são acusados de formarem um “poder paralelo” dentro da Assembleia nos últimos anos.

Segundo Rossoni, Ferry teria ameaçado com uma arma um ex-diretor da Assembleia para que seu salário fosse aumentado. No entanto, o nome de quem teria sofrido esta nova ameaça não foi divulgado.

“Eu não quero expor diretores, mas tenho que contar esses fatos para que as pessoas tenham conhecimento da gravidade da situação”, justificou Rossoni. Funcionários e outros parlamentares da Casa dizem que os ex-seguranças eram conhecidos como a “guarda do Bibinho”, em referência ao ex-diretor geral da Casa, Abib Miguel, conhecido como Bibinho, acusado pelo Ministério Público do Paraná de orquestrar um esquema de funcionários fantasmas e desvio de verbas públicas de pelo menos R$ 100 milhões.

“Eles não eram subordinados a ninguém. Talvez pelo tempo que estavam na Casa ou por ter poder de polícia lá dentro, agiam de maneira de até coagir pessoas e fazer ameaças. No ano passado, presenciei a agressão ao chefe de gabinete de um deputado”, lembra o deputado Stephanes Junior (PSDB).

Ele se refere ao episódio no qual o então presidente da Assembleia, deputado Nelson Justus (DEM) anunciou um projeto de lei para criar a Polícia Legislativa, que substituiria os servidores. Na ocasião, os vigilantes teriam se rebelado e agredido o chefe de gabinete do primeiro-secretário da época, deputado Alexandre Curi (PMDB).

Um exemplo usado por Rossoni sobre o poder dos seguranças era a cobrança de uma espécie de “pedágio” aos prefeitos do interior do Paraná que iam até a Assembleia e tentavam estacionar o carro no estacionamento interno. Rossoni havia dito, na última quarta-feira (2), que ele próprio sofreu ameaças de morte por telefone nas últimas semanas, antes de assumir a presidência da Assembleia.

O presidente da Casa confirma que os funcionários que até esta semana faziam a vigilância da Casa mantinham um certo controle sobre a rotina do local.

“Eles mandavam na Assembleia, detinham um poder exagerado e não davam tranquilidade para que qualquer nova medida fosse tomada. Como estamos implantando uma mudança radical para recuperar a credibilidade da Assembleia, não tínhamos nenhum conforto com essa segurança”, relata o deputado.

A única bancada de oposição dentro da Assembleia, dos sete deputados do PT, diz estar avaliando a troca da responsabilidade pela segurança interna, mas confirma que havia algo estranho na relação com os seguranças. “Ainda é cedo para fazer uma avaliação. O que se ouvia é que havia problemas de fato na área da segurança, mas nunca soube de detalhes. A nossa posição é de observação”, informou o líder da bancada petista, deputado Ênio Verri.

Todas as acusações são rechaçadas pelo advogado que representa o Sindilegis, Henock Gregório Buscariol. “Não existe essa história de poder paralelo. Dizer que a segurança de uma Assembleia tinha mais poder que um deputado é absurdo. Quem daria esse poder? É uma perseguição a um sindicato”, afirmou.

As ameaças também são negadas. “Não houve da parte do presidente do Sindilegis nenhuma ameaça a nenhum diretor ou ao presidente da Assembleia, nem antes de ele assumir a presidência. O que tentamos, apenas, foi fazer uma audiência com o Rossoni e ele respondeu que só conversaria depois que assumisse a presidência. Aí ele assumiu e a primeira atitude foi demitir os funcionários”, defende Buscariol.

A maioria dos 40 vigilantes da Assembleia estava na função em forma de cargo em comissão, que pressupõe uma atividade de confiança política de quem os emprega. No entanto, conforme esclarece o Ministério Público do Paraná, pela Constituição de 1998, cargos em comissão são destinados a funções de chefia e assessoramento, o que exlcuiria a função de seguranças da Assembleia.

O presidente do Sindilegis estava na Assembleia, em cargo de comissão, há mais de 30 anos. Desde hoje de manhã, cerca de 25 policiais começaram a fazer a segurança da Assembleia. Uma empresa terceirizada vai ajudar no serviço.

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