Nelson Justus (DEM) se defendeu de acusações de envolvimento no caso de funcionários fantasmas que marcou legislatura

O presidente da legislatura anterior na Assembleia Legislativa do Paraná, Nelson Justus (DEM), deixou o cargo sob vaias durante seu discurso de despedida, agora à tarde, na primeira sessão plenária do ano da Casa, quando os 54 deputados estaduais eleitos no Paraná tomaram posse.

Em seu discurso de despedida como presidente da Assembleia, Nelson Justus (DEM) aproveitou para fazer uma espécie de autodefesa das acusações de envolvimento no caso de funcionários fantasmas e desvio de verbas da Assembleia, que vieram à tona no ano passado e que teriam tido a conivência dos deputados que dirigem a presidência.

Sob vaias do público que compareceu à posse, Justus argumentou que durante a sua gestão aumentou a transparência das ações da Assembleia e destacou que todos os deputados eleitos são “ficha limpa”. “Sempre me orgulhei de ser político. Reduzimos o número de cargos comissionados e fizemos o recadastramento dos servidores da Casa”, discursou Justus, ofuscado por mais vaias que partiram da plateia.

Dos 54 deputados estaduais eleitos no Paraná, 19 são novos na Casa, sendo que oito deles são filhos, netos ou esposas de ex-deputados: André Bueno (PDT), filho do ex-deputado estadual e ex-prefeito de Cascavel (oeste do Paraná), Edgar Bueno; Rose Litro (PSDB), esposa do ex-deputado estadual Luiz Fernandes Litro (PSDB); Hermas Brandão Junior e Evandro Junior (PSDB), filho e neto, respectivamente, do ex-deputado e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Hermas Brandão; Anibelli Neto (PMDB), filho do ex-deputado estadual Antonio Anibelli (PMDB); César Silvestri Filho (PPS), filho do deputado federal e atual secretário de estado do Desenvolvimento Urbano, Cezar Silvestri (PPS); Pedro Lupion (DEM), filho do deputado federal Abelardo Lupion (DEM) e Marla Tureck, que é filha do ex-deputado e prefeito de Campo Mourão, Nelson Tureck.

A ocupação de duas vagas na Assembleia do Paraná ainda está nebulosa. Com a saída dos deputados Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) para a Secretaria do Trabalho e Durval Amaral (DEM) para a Casa Civil, surgiram duas vagas que, a princípio, pela coligação feita em 2010, ficariam com Elton Welter (PT) e Duílio Genari (PP). No entanto, Gilberto Martin (PMDB) obteve liminar no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) na última segunda-feira (31) que considera que a vaga é do seu partido, o PMDB, e não da coligação.

Se seguir o mesmo princípio, a outra vaga, de Durval Amaral, passaria então para Sabino Picolo (DEM), 20º suplente na lista dos mais votados. Inicialmente, a posse dos suplentes estava prevista para amanhã, mas a Assembleia pode decidir aguardar o julgamento do mérito da matéria. O novo presidente do Tribunal Regional do Paraná (TRE-PR), Irajá Prestes Mattas, também já se posicionou sobre o assunto e entende que o mandato pertence ao partido, não à coligação, que foi desfeita após as eleições.

Nova presidência
Com chapa única escrita, a eleição para a nova presidência da mesa diretora da Assembleia está ocorrendo neste momento. O tucano Valdir Rossoni, braço direito do governador Beto Richa (PSDB), é o único candidato a presidente. Durante as últimas semanas, seguiram-se rumores de que um outro tucano, Nelson Garcia, poderia causar um racha no partido ao lançar uma candidatura própria, o que não aconteceu.

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