Preocupado com reeleição, prefeito vinha sofrendo pressões para se posicionar contra o reajuste de 61,8%

Prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda
Denise Motta/iG
Prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda
O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), decidiu vetar o aumento de 61,8% nos salários dos vereadores da capital mineira.

O projeto de lei foi aprovado no final do ano passado e Lacerda argumentou critérios técnicos para impedir que os parlamentares passassem a ganhar mais de R$ 15 mil, a partir de 2013. O salário atual gira em torno de R$ 9 mil.

No final da manhã desta segunda-feira, Lacerda reuniu-se na prefeitura com vereadores e também chamou o procurador Marco Antônio Rezende para esclarecer que existiam brechar legais que impediam a sanção do projeto de lei.

Conforme informou o iG no sábado, o prefeito já havia avisado que a promulgação do projeto nunca havia sido cogitada e que os vereadores precisavam ter sensibilidade para avaliar a voz da opinião pública .

O veto ao projeto se dá especialmente porque há questionamento juridico quanto ao fato de os salários dos vereadores poderem representar 75% dos salários de deputados estaduais. Isso significa que o aumento dos salários do Legislativo Municipal caberia ao Legislativo Estadual.

Candidato à reeleição em outubro deste ano, o prefeito Marcio Lacerda sofria pressões de diversos setores da sociedade , especialmente jovens , para que vetasse o aumento aos vereadores. Os manifestantes prometiam fazer campanha contra o prefeito e os vereadores se o aumento virasse lei.

A Câmara Municipal de Belo Horizonte sofreu um desgaste muito grande no ano passado. Há parlamentares envolvidos em denúncias de irregularidades, investigados e denunciados pelo Ministério Público Estadual .

Estudantes protestam contra aumento de salário de vereadores de Belo Horizonte
Denise Motta/iG
Estudantes protestam contra aumento de salário de vereadores de Belo Horizonte

O veto do prefeito deve ser publicado no Diário Oficial, antes de seguir oficialmente para as mãos da presidência da Câmara Municipal. O veto será analisado e pode ser derrubado em votação. O presidente da Câmara, vereador Léo Burguês (PSDB), que chegou a declarar em entrevista ao iG que o povo não deveria reclamar do aumento , está de férias e não foi localizado para comentar o caso.

A Câmara chegou a gastar dinheiro para colocar em horário nobre em canais de TV um anúncio defendendo o aumento e foi rebatida por um vídeo postado no YouTube . Em quatro dias, o vídeo teve mais de 27 mil acessos.

O presidente em exercício, vereador Alexandre Gomes (PSB), afirmou ao iG que “pelo andar da carruagem, o veto será mantido”. Gomes participou da reunião com o prefeito e o procurador nesta segunda e disse ter ficado satisfeito com a argumentação apresentada para impedir o aumento.

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