Prefeito de Salvador aceita convite para se filiar ao PP

João Henrique deixou o PMDB em janeiro, após desgaste com grupo de Geddel, e agora vai para base do governador Jaques Wagner

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Após deixar o PMDB neste mês, o prefeito de Salvador, João Henrique, anunciou nesta segunda-feira (21) que irá se filiar ao PP, principal aliado do governador Jaques Wagner (PT-BA). Ele também negociava com o PV.

O anúncio da filiação, a ser assinada em 12 de março, chega após dois meses de desgaste com o PMDB, liderado no Estado pelo grupo do ex-ministro e ex-deputado Geddel Vieira Lima - hoje, adversário de Wagner.

O PMDB baiano oficializara o rompimento com João Henrique no último dia 19. Justificou a decisão por “sucessivos desacertos administrativos que passaram a colocar em risco a governabilidade” da gestão.

A eleição do ano passado deteriorou a relação entre o prefeito e o PMDB baiano, que apontou pouco empenho de João Henrique na campanha de Geddel ao governo do Estado, pleito vencido pelo governador Wagner.

Com a entrada no PP, João Henrique ingressa em uma força política em ascensão no Estado, “jóia da coroa” do governo Wagner. Os progressistas na Bahia detêm o cargo de vice-governador, que acumula a pasta da Infraestrutura, e outras três secretarias, além de 50 prefeitos, quatro deputados federais e seis estaduais.

O convite a João Henrique foi formalizado nesta segunda (21) pelo ministro das Cidades e presidente do PP-BA, Mario Negromonte. O encontro contou ainda com os pepistas João Leão, deputado federal, e os deputados estaduais Cacá Leão e Mário Negromonte Filho, além do secretário-geral do partido, Jabes Ribeiro.

“No PP teremos condições agora de transformar Salvador numa grande vitrine entre as 12 sedes da Copa do Mundo de 2014, garantindo importantes legados para a nossa população. Eu espero estar à altura dessa grande escola de gestores do PP e vou ser um aluno dedicado”, disse João Henrique, segundo nota distribuída à imprensa.

Histórico e crise

João Henrique muda de partido em meio à pior crise política e financeira de sua gestão. O afastamento do PMDB e a situação precária do caixa municipal deixaram o prefeito na defensiva política e midiática nos últimos meses.

Filho do ex-governador e senador João Durval (PDT-BA), João Henrique se tornou popular como deputado estadual pela militância associada a causas de defesa dos “consumidores”, como cobrança de estacionamentos em shoppings.

Eleito prefeito pela primeira vez pelo PDT em 2004, em disputa facilitada pela união dos grupos de oposição e pelo caráter de plebiscito contra o candidato do carlismo (ligado ao grupo de Antônio Carlos Magalhães, 1927-2007), o ex-senador Cesar Borges (DEM), João Henrique montou à época um governo com 11 partidos, entre eles PT e PSDB, que indicara o vice.

João Henrique orientava seu projeto político para disputar a reeleição em 2008 e o governo do Estado em 2010, mas o plano foi abortado pela inesperada vitória do governador Jaques Wagner em 2006 contra o então governador carlista Paulo Souto (DEM).

Com projeto político limitado à cidade, João Henrique se aproximou do PMDB de Geddel, à época o poderoso ministro da Integração Nacional do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que já acalentava a postulação ao governo em 2010. Assinou a filiação em 2007.

“Novamente foi uma conjunção de interesses: o PMDB era fraco em Salvador, tinha interesse em colocar um pé na cidade, caminho importante para projetar a candidatura de Geddel. E João Henrique tinha o lastro de um partido com uma musculatura nacional forte, tempo de TV grande”, afirmou ao iG Paulo Fábio Dantas, cientista político e professor da UFBA (Universidade Federal da Bahia).

Para Dantas, ingressar na Prefeitura de Salvador é um “excelente negócio” para o PP baiano. A pergunta que fica, afirma, é sobre qual será o comportamento dos progressistas na sucessão municipal de 2012, em que o deputado federal Nelson Pellegrino desponta como nome do PT - na cidade, os petistas, hoje, fazem oposição a João Henrique.  “A possibilidade de que o candidato do PT tenha que responder a acenos de João Henrique para entrar em seu palanque é grande”, diz Dantas, prevendo dificuldades na construção do discurso de campanha petista no pleito.

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