Prefeito de Jandira é assassinado; polícia prendeu 4 suspeitos

Carro em que Walderi Braz Paschoalin (PSDB) foi alvejado por tiros; MP tem seis inquéritos civis contra ele

Rodrigo Rodrigues e Lecticia Maggi, iG São Paulo |

O prefeito da cidade de Jandira, localizada a cerca de 38 quilômetros da capital paulista, Walderi Braz Paschoalin (PSDB), foi assassinado a tiros na manhã desta sexta-feira na frente de uma rádio onde tinha um programa semanal. A Polícia Militar prendeu quatro pessoas suspeitas de terem cometido o crime . Os dois primeiros presos foram encontrados próximos a um carro que supostamente teria sido usado na ação. Havia galões de gasolina no local, o que levou a polícia a levantar a tese de que o carro seria incendiado.

Segundo o delegado Eymard Berto Ferreira Júnior, titular do 1° DP da cidade, na Grande São Paulo, os quatro suspeitos estão detidos para averiguação e, por isso, terão suas identidades preservadas até que o inquérito sobre o crime avance. O delegado de Jandira confirmou, porém, que um dos suspeitos presos pela manhã já foi reconhecido em uma fotografia por uma das testemunhas ouvidas pela polícia. O suspeito também passou por exame residuográfico e foram encontrados vestígios de pólvora no corpo dele. “Ainda é cedo para fazer qualquer afirmação. Mas os dois detidos nesta tarde foram indicados pelos dois suspeitos presos pela manhã”, disse Ferreira Júnior.

Agência Estado
Polícia Militar prende suspeitos de matar prefeito de Jandira
O som dos cerca de 15 tiros que atingiram o carro em que estavam o prefeito e o seu motorista foram captados pelos microfones da rádio, que transmitia no momento do crime uma reportagem falando sobre o próprio prefeito. O barulho assustou os locutores, que chegaram até a brincar no estúdio com o operador de som. (Ouça o áudio, só disponível para os navegadores Mozilla Firefox, Chrome e Safari).

De acordo com informações da Polícia Militar, o crime ocorreu por volta das 8 horas, quando o prefeito chegava à Rádio Astral, onde participava todas as sextas-feiras do programa "Bom Dia, prefeito". O motorista do prefeito, Wellington Martins, que o acompanhava no carro, também foi atingido. Ele foi transferido para o Hospital das Clínicas de São Paulo, onde encontra-se em estado gravíssimo. O prefeito chegou a ser socorrido no pronto-socorro da cidade, mas chegou morto ao local.

O delegado Eymar Ferreira Junior afirmou que cápsulas de fuzis e de pistola 9 mm foram encontradas no Fiesta, carro em que estavam o prefeito e o motorista. Cápsulas de 9 mm também foram encontradas dentro de um carro Focus localizado logo depois do atentado, com três perfurações, na Estrada Velha de Itapevi, no Parque Nova Jandira, próximo ao local do crime.

Segundo o delegado Marcelo Prado, da Seccional de Carapicuíba, que participou da primeira etapa de investigação, não há sinais na cena do crime de que o prefeito tenha sido vítima de tentativa de roubo de carro. Uma adolescente de 17 anos teria presenciado o crime, segundo a polícia. Ela foi levada pela polícia para uma delegacia da cidade para prestar depoimento.

O prefeito de 62 anos foi eleito em 2008 com 42% dos votos válidos. Ele começou a carreira política aos 28 anos quando foi eleito vereador. Segundo informações disponíveis no site da cidade, a primeira vez que Paschoalin concorreu ao cargo de prefeito foi em 1982, ficando em terceiro lugar nas eleições.

No início da tarde, o PSDB divulgou nota em que lamentou a morte do prefeito. No documento, o presidente do PSDB de São Paulo, deputado Antonio Carlos Mendes Thame, e o secretário geral, César Gontijo, pediram a investigação do caso. “Ao longo de sua vida pública, Paschoalin foi um exemplo de liderança na região e lutou pelos avanços de Jandira ao longo de seus três mandatos à frente da Prefeitura. Sua morte abrupta é uma perda inestimável para o PSDB e para o Estado de São Paulo”, afirma a nota. A prefeitura de Jandira decretou cinco dias de luto oficial pela morte de Braz Paschoalin.

O Ministério Público de São Paulo afirmou nesta sexta-feira que vai acompanhar a investigação sobre o crime contra o prefeito de Jandira. Há seis inquéritos civis contra o prefeito no Ministério Público . Dois promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) acompanharão junto com a Polícia Civil o andamento das investigações sobre o assassinato, assim como fizeram no caso de Celso Daniel (PT), prefeito de Santo André assassinado em 2002.


Velório

A Prefeitura de Jandira informou que o velório do corpo do prefeito será realizado no ginásio central da cidade a partir das 18h desta sexta-feira (10). A cidade decretou cinco dias de luto oficial pela morte do prefeito e todos os órgãos públicos municipais foram fechados no início da tarde em respeito à memória do prefeito.

O governador de São Paulo, Alberto Goldman, confirmou presença no velório. O governador eleito, Geraldo Alckmin, que assume em primeiro de janeiro, divulgou nota no final da tarde desta sexta-feira e se disse muito triste com o assassinato de Paschoalin.

“Foi com profunda tristeza que recebemos a notícia da morte do nosso querido prefeito Braz Paschoalin. Tive a oportunidade de acompanhar sua dedicação como homem público e sua enorme disposição para trabalhar pelo povo de Jandira. Transmito nossos sentimentos e nossas orações a sua família, e nossa confiança no trabalho da polícia para esclarecer esse crime bárbaro”, disse a nota de Alckmin.

Motorista
Conforme informações da Polícia Militar (PM), o motorista Wellington Martins, conhecido na cidade como Geleia, foi levado pelo helicóptero Águia para o Hospital das Clínicas, na capital paulista. Ele passa por cirurgia no Hospital das Clínicas (HC), informou a assessoria do centro médico da capital paulista. O estado de saúde dele é gravíssimo. A assessoria da prefeitura de Jandira, ao contrário das informações passadas anteriormente, agora não confirma a morte do funcionário.

Crimes em Jandira

O assassinato do prefeito Braz Paschoalini (PSDB) não foi o primeiro crime da cidade envolvendo políticos. Em 1983, o então prefeito Dorvalino Abílio Teixeira (PDS) também foi assassinado durante o exercício do cargo, que tinha assumido em 1977. Teixeira foi morto com dez tiros na porta de casa e as investigações da época concluíram que o crime foi latrocínio (roubo seguido de morte).

Em 2001, o vereador Mario Soares de Almeida também foi assassinado ao chegar à Câmara Municipal com a família. Neste ano, outro crime marcou a vida política da cidade: o ex-vereador Waldomiro Moreira de Oliveira, conhecido como Mineiro, também foi assassinado. O crime aconteceu em frente a casa dele e foi enquadrado pela polícia apenas como uma tentativa de assalto. Quando os criminosos entraram na casa, a vítima havia saído para comprar pão. Ao retornar, deu de cara com os bandidos, que o alvejaram com vários disparos.

*Com AE

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