Prefeito assassinado em Jandira é alvo de seis inquéritos no MP

Walderi Braz Paschoalin é acusado pelo Ministério Público de desvios no Fundeb e pagamento a vereadores por apoio político

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

Assassinado nesta sexta-feira na entrada de uma rádio em Jandira (Grande São Paulo), o prefeito da cidade, Walderi Braz Paschoalin (PSDB), é alvo de pelo menos seis inquéritos civis no Ministério Público de São Paulo por suspeita de improbidade administrativa e desvio de recursos no município, segundo o próprio MP.

Agência Estado
O prefeito de Jandira, Braz Paschoalin (PSDB), morto nesta sexta-feira em frente a uma rádio
A assessoria de imprensa do órgão afirma que um dos inquéritos do Ministério Público diz respeito a desvios de verba do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). Embora não tenha dado detalhes dos processos, o MP informou que a investigação foi pedida pelo Ministério Público Federal e ainda tramita no órgão.

Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) também investigam o envolvimento do prefeito de Jandira no suposto sumisso de cheques da prefeitura nas duas gestões passadas de Paschoalin. A TV Globo informou ainda que o prefeito é investigado pelo Gaeco por pagamento a cinco vereadores da cidade em troca de apoio e voto em projetos de interesse do executivo.

De acordo com a TV Globo, os vereadores recebiam R$ 200 mil por mês e foram flagrados em gravações telefônicas autorizadas pela Justiça. Está é a terceita vez que Paschoalin assume o cargo de prefeito de Jandira. Nas últimas gestões ele teve as contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) pelo menos seis vezes.

Entre os seis inquéritos levantados pelo MP, três deles já foram arquivados por falta de provas e outros dois ainda estão sob investigação. O MP não quis informar o teor das investigações. Por conta desses processos e de suposta ligação deles com o crime, o MP de São Paulo designou nesta sexta-feira uma equipe de promotores Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para acompanhar as investigações do caso.

Assim como ocorreu em 2002, no assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), a presença do MP pode garantir o efetivo aprofundamento das investigações da suposta ligação política do crime. Apenas o inquérito do Ministério Público apurou a hipótese de crime político na morte de Celso Daniel. No inquérito da polícia civil, os delegados apuraram que a morte do ex-prefeito do PT foi crime comum, praticado por um grupo de criminosos da favela Pantanal, na zona sul de São Paulo.

A versão de crime encomendado para encobrir um esquema de corrupção na prefeitura foi levada ao júri do primeiro acusado do crime contra Celso Daniel e levou Marcos Bispo dos Santos, suposto motorista do veículo que sequestrou Celso Daniel, a ser condenado a 18 anos de prisão.

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