Caciques rejeitaram investidas do chefe dos Transportes por apoio e, agora, esperam discutir com Dilma vaga na Esplanada em 2012

Às vésperas da reforma ministerial, prevista para janeiro, o Partido da República (PR) iniciou um processo de fritura do ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. Embora Passos seja filiado à legenda, a cúpula do PR nunca engoliu sua imposição pela presidenta Dilma Rousseff , após seu antecessor, o ex-ministro e presidente do partido, senador Alfredo Nascimento (AM), deixar a pasta sob denúncias de corrupção.

O iG apurou que, desde que assumiu o posto, Passos fez diversas investidas junto a caciques do partido para tentar convencê-los a apoiá-lo. Elas, porém, foram rejeitadas pelos congressistas. Nos bastidores, comenta-se que a busca de sustentação política de Passos para se manter no cargo teria irritado Dilma, que já o consideraria carta fora do baralho em 2012. Os movimentos de Passos e o descontentamento do PR também já chegaram ao conhecimento da presidenta, segundo apurou a reportagem.

Após a saída de Nascimento da pasta, o partido declarou “independência” em relação à base, o que significaria entrega de cargos no governo federal – embora, na realidade, tenha mantido postos-chaves principalmente do segundo e terceiro escalões . Agora, no entanto, a legenda já admite negociar com Dilma a vaga que seria aberta com a possível saída Passos em 2012.

“Definitivamente, Passos não representa o PR. Nosso partido quer voltar a ser base do governo“, afirma o senador Blairo Maggi (PR-MT). "Quando formos chamados pela Dilma para discutir a reforma (ministerial), vamos colocar nossa opinião", completa o matogrossense, atualmente o principal interlocutor do partido junto ao governo.

O líder da legenda na Câmara, Lincoln Portela (MG), diz que Passos participou apenas de um jantar com deputados. Ele nega que tenha havido convite oficial para que ele passe a ser cota do partido na Esplanada. “Este assunto não foi tratado”, diz Portela. “Oficialmente, o partido não recusou nem referendou sua nomeação. Se for o caso de ele deixar a pasta no ano que vem, e a Dilma indicar alguém do PR para seu lugar, vamos avaliar”.

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