PR cobra mesmo tratamento de Dilma a denúncias na Agricultura

"Que a presidenta da República tenha um só comportamento em relação a todos os ministérios", disse Lincoln Portela

Reuters |

Agência Brasil
O ministro Wagner Rossi, da Agricultura, negou as acusações e atribuiu denúncias a retaliação
Em meio a acusações de corrupção que atingem o Ministério da Agricultura, o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (PR-MG), disse nesta segunda-feira esperar que a presidenta Dilma Rousseff tenha posicionamento igual com todos os ministérios envolvidos em denúncias.

Leia também: Rossi reage e chama de "mentiras" acusações na Agricultura

O PR de Portela viu Alfredo Nascimento , que é da sigla, renunciar ao cargo de ministro dos Transportes no mês passado em meio a denúncias de corrupção dentro da pasta, com a participação de integrantes do partido. As denúncias motivaram uma "faxina" no ministério, com a saída de vários servidores, a maioria deles ligados ao PR.

"Que a presidenta da República tenha um só comportamento em relação a todos os ministérios. Houve uma denúncia, então que (ela) aja da mesma maneira", disse Portela a jornalistas após reunir-se com a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. "A nação brasileira quer que haja uma só balança nos julgamentos das questões de denúncias dentro dos ministérios no governo."

A nação brasileira quer que haja uma só balança nos julgamentos das questões de denúncias dentro dos ministérios no governo", diz Portela

No fim de semana, Oscar Jucá Neto, ex-diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), acusou o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, de lhe oferecer propina em troca de silêncio sobre casos de fraude e corrupção, segundo reportagem da revista "Veja".

Jucá Neto é irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Apesar do tom, Portela preferiu não comparar o episódio dos Transportes com o atual, mas considerou as denúncias como "graves, que precisam ser apuradas."

Ideli recebeu líderes dos partidos aliados para traçar as prioridades do governo para o semestre. Mas, em separado, reuniu-se com Portela e o deputado Luciano Castro (PR-RR).

O encontro reservado ocorre na véspera do retorno de Nascimento ao Senado. Há a expectativa que ele use seu discurso para comentar as denúncias de corrupção que forçaram sua saída do cargo.

O momento também é delicado nas relações do Planalto com o PR , desgastada com a crise nos Transportes e o processo de substituição de Nascimento. Portela fez questão de destacar que a escolha do sucessor de Nascimento, Paulo Sérgio Passos, "é uma indicação pessoal da presidenta da República e da cota dela".

"Essa preocupação do governo... não adianta querermos tapar o sol com a peneira. Há uma preocupação do governo com o Partido do República," disse Portela, que reconheceu haver "focos de insatisfação" na sigla. Ele defendeu rigor na punição dos culpados por irregularidades, mas que todos possam se defender. "Estado policial é lá em Cuba", disse. (Por Hugo Bachega)

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