PP tenta manter ministro, mas já discute substituto para Cidades

Principal objetivo é evitar perda de ministério que comanda desde 2005. Dornelles é único nome capaz de aglutinar sigla no momento

Adriano Ceolin, iG Brasília |

AE
O presidente do PP, Francisco Dornelles
As diferentes alas do PP tentam se entender para evitar a perda do Ministério das Cidades para uma outra sigla. Por ora, o objetivo é manter o atual ministro Mário Negromonte no cargo. Contudo, o partido já começou a discutir alternativas. No momento só o presidente nacional do PP, o senador Francisco Dornelles (RJ), é capaz de aglutinar partido. 

"O que a gente não quer é que a pasta vai para o PT. A Marta Suplicy não está aí sendo retirada da disputa pela Prefeitura de São Paulo ( o pré-candidato favorito é o ministro Fernando Haddad, da Educação ). De repente ela ganha uma pasta e o PP fica sem nada", avaliou um pepista experiente.

A cúpula do partido resolveu delimitar seus espaços de poder no Congresso para minimizar a disputa interna e evitar a perda da pasta comanda desde 2005.  A ordem agora é evitar mais desgaste político.

O grupo de Negromonte na Câmara viu-se obrigado a aceitar a troca do líder da bancada na Casa: Nelson Meurer (PR) deu lugar a Agnaldo Ribeiro (PB). O episódio mostrou a força de uma espécie de novo clero  no Congresso. 

A estratégia foi articulada pelo deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que também tem pretensões de se tornar ministro. Ele, porém, nega. Junto com Da Fonte, se comprometeu a evitar novos conflitos com o grupo de Negromonte.

Na direção da sigla, Dornelles seguirá dando as cartas. Ele ainda é o principal interlocutor do partido no Palácio do Planalto. Apesar de ter trabalhado pela permanência de Márcio Fortes no começo do ano, ele também disse que não ser contra Negromonte. Em princípio, também não deseja assumir as Cidades. No governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), ele foi ministro do Trabalho.

Toda a cúpula do partido avalia que foi “desastrosa” a entrevista que o ministro Mário Negromonte concedeu ontem ao jornal O Globo , com ataques ao grupo de Ciro e Da Fonte e reclamações sobre as dificuldades de se liberar emendas parlamentares e nomear aliados. Ele chegou a dizer que colocaria o cargo à disposição.

A presidenta Dilma Rousseff não gostou da entrevista e teve uma conversa com Negromonte cobrando explicações. Ela decidiu mantê-lo no cargo para evitar a quinta troca de ministro em menos de um ano de governo_ já houve substituições na Casa Civil, nos Transportes, na Agricultura e na Defesa. Ela disse que o governo não tem como meta fazer faxina.

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