PP divide-se sobre mudança na pasta das Cidades

Parlamentares rejeitam permanência de Negromonte e volta de Márcio Fortes, mas não têm nome forte que passe pelo crivo de Dilma

Adriano Ceolin e Fred Raposo, iG Brasília |

AE
Em meio à crise na pasta, em agosto, Negromonte foi às lágrimas durante cerimônia em Salvador, na Bahia
Dono do Ministério das Cidades desde 2005, o PP está dividido em relação à melhor estratégia para permanecer com a pasta durante a reforma ministerial. O único consenso é que Mário Negromonte, ministro desde janeiro de 2011, deve ser mesmo substituído. Porém, sem nome forte para substituí-lo, pepistas não sabem direito como lidar com o assunto.

O maior temor é que a presidenta Dilma Rousseff promova a volta do Márcio Fortes ao comando da pasta. Atual presidente da Autoridade Pública Olímpica, Fortes foi ministro entre 2005 e 2011. No período, porém, desgastou-se com a bancada da Câmara, que forçou sua saída.

Fortes, porém, sempre teve um aliado forte dentro do PP. Trata-se do presidente nacional da sigla, o senador Francisco Dornelles (RJ). A força do padrinho, contudo, não foi suficiente para mantê-lo no cargo na mudança do governo Lula para o governo Dilma.

“O Márcio Fortes é o ministro do coração da presidenta. Ela tentou mantê-lo”, afirma o senador Benedito de Lira (PP-AL). “Contudo, naquela época (na transição Lula-Dilma), havia muitas resistências da bancada da Câmara”, completou.

Pepistas sempre se queixaram que Fortes tinha uma postura “muito servil” ao Palácio do Planalto. Deputados da sigla ressaltam o diálogo entre Fortes e o ex-líder da bancada João Pizzolatti em que o primeiro teria dito que só devia “satisfações a Lula e Dornelles”.

Para o deputado Esperidião Amin (PP-SC), a decisão sobre as Cidades “depende fundamentalmente” de Dilma. “A presidenta mostrou que gosta de conduzir as mudanças no ministérios dentro do seu estilo, preservando autoridade. Ela mostrou ter uma reação própria a respeito de pressão”.

Amin diz que a Dilma “não gosta que peçam para tirar nem que peçam para ficar”. “O partido terminou o ano com as diferenças harmonizadas”, afirma. “Elegemos na Câmara um líder por unanimidade e estendemos no fim do ano a mão em solidariedade ao Negromonte. Mas isso não significa dizer que queremos que ele fique ou que saia do ministério”.

Sondagem

Além de Fortes e Negromonte, o próprio Dornelles teria sido sondado pelo governo para ocupar a pasta. O deputado Márcio Reinaldo (PP-MG), que no ano passado relatou o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2012, também é cogitado para o cargo. Ele é o favorito pela bancada, mas não se sabe se teria respaldo de Dilma.

Ex-líder da bancada do PP na Câmara, Negromonte (BA) chegou ao cargo de ministro após tornar-se consenso entre deputados e comando da sigla. À frente da pasta das Cidades, emplacou aliados políticos na Bahia, mas não conseguiu atender pedidos dos deputados.

Em agosto, o desgaste com a maior parte dos colegas atingiu o ápice. Comandado sobretudo pelo deputado Dudu da Fonte (PP-PE) e pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), um grupo colheu assinaturas para destituir o líder Nelson Meurer (PR), que tinha o apoio de Negromonte.

Mesada

A manobra pegou o ministro de surpresa. Negromonte tentou reagir e, logo em seguida, surgiu o boato de que teria ofertado R$ 30 mil mensais para que os deputados aprovassem a restituição de Meurer. A denúncia nunca foi comprovada, mas, em meio à crise, Negromonte chegou a afirmar que a disputa interna do PP pelo controle das Cidades iria "teminar em sangue".

O Palácio do Planalto fez questão de acompanhar o caso e pediu para que Negromonte se entendesse com seus colegas de partido. Segundo o iG apurou, Dilma não faz uma boa avaliação do trabalho do ministro. Porém, ele também nunca causou problemas. Questionado sobre a possível saída de Negromonte, Dornelles se esquiva.

“Que eu saiba ele tem o apoio da bancada”, diz o senador. De fato, no fim do ano passado, após a eleição de Agnaldo Ribeiro para a liderança, foi produzida uma nota de apoio a Negromonte. Pepistas ouvidos pela reportagem disseram que o documento significou “um gesto de solidariedade” e não “um pedido” para que ele permanecesse no cargo.

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