Ex-presidente contrariou posição do governo, que agora trabalha para manter restrição a documentos sigilosos

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se disse contra a iniciativa do governo federal de manter o sigilo eterno de informações confidenciais após aula-espetáculo do escritor Ariano Suassuna, em São Bernardo do Campo (SP). Lula afirmou que o sigilo eterno só pode ser considerado em casos que envolvam países.

"Sigilo eterno não, não existe nada que exija sigilo. Acho que tem de ter um prazo, a não ser que seja um documento de Estado, que precisa ter mais cuidado. Mas o restante, acho que o povo tem mais é que saber."

O projeto sobre o acesso a informação tramita no Senado e tem como um dos principais opositores o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), que comparou o acesso a informações sigilosas ao vazamento de informações do WikiLeaks. "Não se pode fazer um WikiLeaks da história do Brasil", defendeu o senador.

Lula esteve entre a plateia dos admiradores do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, que dedicou sua aula-espetáculo ao ex-presidente e seu governo. "Eu votei nele todas as vezes, já votei nele várias vezes e votarei de novo se for o caso", disse o escritor, que arrancou aplausos da plateia.

Suassuna comparou a gestão Lula ao governo de Getúlio Vargas, que em sua opinião, "lutou pelos mais pobres". "Eu sou a favor da boa política, como Lula faz. A boa política é a arte de promover o bem comum", afirmou Suassuna.

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