Por ameaça a presidente da Casa, PM ocupa Assembleia no Paraná

Recém-empossado presidente, Valdir Rossoni (PSDB) afirma ter sido ameaçado por agentes da segurança que trabalham na Casa

Luciana Cristo, iG Paraná |

A Polícia Militar do Paraná ocupou a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) com cerca de 300 homens nesta madrugada, a pedido do presidente eleito da Casa, Valdir Rossoni (PSDB), que alega ter recebido ameaças dos seguranças da Casa. A decisão contou com o apoio do governador Beto Richa (PSDB). Convocada no final da noite de terça-feira (1), a polícia retirou do prédios agentes da polícia legislativa, responsáveis pela segurança da Casa. Neste momento, está sendo montado um gabinete da segurança para esses policiais, que devem fazer a segurança da Casa provisoriamente. Na sequência, a presidência pretende contratar uma empresa de segurança terceirizada.

Recém-empossado presidente, Rossoni afirma ter sido ameaçado por agentes da polícia legislativa pouco antes da eleição para a presidência da Casa. No discurso de posse, o deputado prometeu reformas administrativas e uma auditoria para investigar denúncias de desvios de dinheiro.

A ocupação deixou os vigilantes do Sindicato dos Servidores do Legislativo (Sindilegis), que até então faziam a segurança da Assembleia, indignados. “O Paraná precisa de segurança contra bandidos, coisa que os funcionários da Assembleia não são”, protestou o presidente do Sindilegis, Edenilson Ferry (conhecido como Tôca). A PM avisou aos vigilantes que, por enquanto, poderão entrar, um de cada vez, na sua antiga sala para retirar os pertences individuais. O tenente-coronel da PM, Arildo Dias, afirmou que nada foi apreendido na Assembleia.

Para evitar confronto, os vigilantes têm obedecido às ordens dos policiais militares. “Até porque não temos o que fazer contra 300 policiais, 50 viaturas e todo esse aparato. A PM agiu de forma truculenta e o primeiro ato de Rossoni como presidente da Casa foi destituir a política legislativa que aqui atuava”, criticou Ferry, que acusou ainda a PM de ter entrado na Assembleia sem mandado de segurança. “Os vigilantes que estavam aqui no momento da entrada dos PMs foram humilhados com metralhadores e bombas de gás lacrimogêneo na mão dos policiais”, conta o presidente do sindicato.

No ano passado, servidores e deputados da Assembleia tiveram seus nomes vinculados a escândalos de desvio de dinheiro público e contratação de funcionários fantasmas, prática que acontecia desde a década de 1980. Rossoni afirmou que espera moralizar a Casa e, como medida prática, disse que pretende contar com apoio técnico e contratar a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para auditar práticas adotadas na Assembleia.

O presidente disse ainda que vai rever a aposentadoria de funcionários da Casa e que servidores tornados efetivos de forma irregular correm risco de perder o cargo. Nos próximos 15 dias, um novo e minucioso recadastramento dos funcionários efetivos da Casa deve ser feito. “Aos 58 anos de idade não posso mais pedir tempo à sociedade. Estou recebendo uma oportunidade única de fazer o que tem que ser feito na Casa”, enfatizou Rossoni.

Outro ponto que o novo presidente da Casa pretende destrinchar é o pagamento da Unidade Real de Valor (URV) aos servidores, o correspondente a um gasto de R$ 70 milhões, aprovado final do ano passado. O projeto de lei nº500/10, que autoriza a Assembleia Legislativa a recompor a defasagem salarial de 11,98% da URV está previsto para funcionários do Poder Legislativo com vínculo entre 16 de junho de 2002 a 31 de dezembro de 2006. No Paraná, essa defasagem já foi paga aos funcionários do Tribunal de Contas, do Tribunal de Justiça e do Ministério Público.

Assembleia

Por 47 votos a favor e seis abstenções, todas de parlamentares do PT, Rossoni foi eleito nesta terça-feira (1) o novo presidente da mesa diretora da Assembleia Legislativa do Paraná. Além do presidente, a nova mesa diretora da Assembleia Legislativa é composta por Artagão Júnior (PMDB) como 1º vice-presidente; Augustinho Zucchi (PDT) como 2º vice-presidente; Douglas Fabrício (PPS) como 3º vice-presidente; Plauto Miró Guimarães (DEM) como 1º secretário; Reni Pereira (PSB) como 2º secretário; Stephanes Júnior (PMDB) como 3º secretário; Gilson de Souza (PSC) como 4º secretário e Fábio Camargo (PRTB) como 5º secretário.

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