Por 266 votos contra 72, Câmara rejeita convocação de Palocci

Após impedir que requerimentos fossem apreciados nas comissões, governo derrubou pedido no plenário; votação teve 8 abstenções

iG São Paulo |

O governo conseguiu derrubar no plenário da Câmara dois requerimentos para que o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, dê explicações sobre a notícia de que multiplicou seu patrimônio por 20 em um período de quatro anos. Na apreciação do primeiro pedido, apresentado pelo líder do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), o placar foi de 266 votos contrários, 72 a favor e 8 abstenções. Já a derrota do segundo pedido, feito pelo líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP), veio em votação simbólica.

O caso foi parar no plenário após o líder do governo na Casa, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), anunciar a abertura da sessão nesta manhã, impedindo assim que as comissões apreciassem individualmente pedidos de convocação do ministro. 

Um requerimento seria votado pela Comissão de Fiscalização e Controle. A Comissão da Agricultura, presidida pelo DEM, também tentou abrir a sessão e votar a convocação de Palocci, mas foi impedida porque já tinha começado a Ordem no Dia no plenário. "O governo quer colocar uma mordaça na oposição", queixou-se ACM Neto. "Fez ato autoritário e cancelou todas as comissões. O governo quer esconder o Palocci", afirmou.

O deputado Pepe Vargas (PT-RS) criticou a intenção da oposição de tentar obstruir os trabalhos. Segundo ele, a convocação do ministro é descabida, uma vez que a Comissão de Ética Pública da Presidência da República já se manifestou sobre o assunto. "O ministro Palocci não quer esconder nada. O aumento de patrimônio está colocado em sua declaração de renda", afirmou.

Tensão

As tensões em função dos requerimentos ficaram evidentes quando, no fim da manhã, a segurança da Casa contestou a colocação de cartazes com a inscrição "Blindagem de Palocci" nas comissões temáticas pelo líder do PPS, Rubens Bueno (PR). "A Polícia Legislativa não pode se tornar tropa de choque do governo. Não pode desrespeitar o direito de livre manifestação", protestou Bueno no plenário. Ele afirmou que pretende representar contra a Polícia Legislativa na Mesa da Câmara.

Já o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) criticou a explicação enviada ontem por Palocci a parlamentares. Diante da repercussão envolvendo sua evolução patrimonial e a atuação de uma empresa de sua consultoria, o ministro enviou e-mail a senadores citando nomes de ex-ministros e ex-presidentes do Banco Central para dizer que a passagem por um ministério é um elemento de valorização no mercado.

Entraram na lista figuras como Pedro Malan, Armínio Fraga e Henrique Meirelles. "Os nomes citados por ele estão em atividades privadas de forma pública, em escritórios definidos e de conhecimento público. Palocci tinha uma atividade secreta", disse o tucano. 

Defesa

Para o presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão (SP), a polêmica em torno de Palocci está encerrada. "Ele já prestou contas nos órgãos cabíveis e não houve nenhuma iniciativa que partisse do PSDB para convocá-lo a dar explicações ao Congresso", completou.

Falcão disse não ter dúvidas de que o episódio "não abala de maneira nenhuma, em absoluto, a credibilidade do ministro" e o partido não está preocupado com o seu futuro. Ainda em defesa de Palocci, ele avaliou que "nenhum tipo de suspeição pesa sobre o ministro e, com isto, não há nada que possa abalar a imagem de Palocci".

Críticas

Enquanto o ex-governador José Serra e o senador Aécio Neves , principais nomes do PSDB, evitaram subir o tom contra Antonio Palocci, o ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman, acusou um dos principais assessores da presidenta Dilma Rousseff de exercer "tráfico de influência" no governo. Em seu blog, Goldman admite que participar de atividades privadas durante o mandato parlamentar é "perfeitamente lícito", mas que Palocci "não é uma figura qualquer".

*Com informações da Agência Estado e da Agência Câmara

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