Políticos lamentam morte de ex-presidente Itamar Franco

Segundo Romero Jucá, comitiva de parlamentares organizada por Sarney deve acompanhar homenagens ao senador

Fred Raposo, iG Brasília |

Políticos brasileiros lamentaram neste sábado a morte do ex-presidente da República e senador Itamar Franco (PPS-MG), vítima de leucemia aos 81 anos. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deve organizar uma comitiva de parlamentares para acompanhar as cerimônias fúnebres em homenagem ao ex-presidente.

A informação foi dada ao iG pelo líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Segundo ele, que confirmou presença na comitiva, os parlamentares devem seguir para Minas Gerais no domingo.

O peemedebista assinalou ainda que o Senado deve realizar homenagens a Itamar durante a semana. “O país perde um grande brasileiro, um homem autêntico, que encarava a política com muita seriedade. Ele tinha uma forma peculiar de fazer política, com muita paixão”, disse.

Jucá afirmou que acompanhou as últimas semanas com “muita apreensão e esperança” de que Itamar fosse reagir à doença. "Ele fazia um grande trabalho no Senado. Minas e o país perdem um grande estadista”, sublinhou.

O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), definiu Itamar como o “pai da estabilidade”. “Só tenho a lamentar profundamente. Ele foi um líder maior”, disse Demóstenes. “Convivi pouquíssimo com ele, mas tinha uma admiração profunda. Ele chegou ao Senado naquela idade, mas exigia sempre que o regimento fosse cumprido, sabia fazer oposição. É o pai da estabilidade, sempre veemente, sem conversa fiada”, completou.

O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT) lamentou a morte. Itamar e Pimentel foram adversários na disputa pelo Senado no ano passado. "Lamento profundamente a morte do grande brasileiro Itamar Franco. Como presidente da República, num dos momentos mais críticos da história recente do Brasil, ou como governador de Minas Gerais, senador e prefeito, Itamar sempre atuou com competência e espírito público, buscando acima de tudo o interesse nacional. Minas Gerais perde um homem público exemplar, que sempre dignificou os cargos que ocupou e qualificou as disputas eleitorais de que tomou parte", disse por meio de nota.

Pimentel também destacou que Itamar deu "passo fundamental" para o fim da inflação e a conquista da estabilidade econômica. "Tive com Itamar Franco uma relação sempre fraterna e respeitosa, iniciada quando fui prefeito de Belo Horizonte e ele governador de Minas, e que não se interrompeu nem mesmo durante a campanha eleitoral recente, em que disputamos a vaga do Senado. Guardarei sempre na memória o exemplo de integridade e honradez e o compromisso com a democracia e com o nosso país que nos legou Itamar Franco".

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também divulgou uma nota oficial. "A perda do presidente Itamar deixa uma lacuna no cenário político nacional e entristece a todos os brasileiros. Itamar Franco foi responsável por conduzir o País num dos períodos mais turbulentos da história recente e à frente do processo de transição na política e na economia teve papel decisivo para o fortalecimento da democracia no Brasil", afirmou.

Para o líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), a morte de Itamar deixa um “vácuo” no Senado. “Ele chegou com muita disposição para fazer oposição como se deve, com talento e sobretudo sua dignidade, em falta nas estantes da política nacional”.

O tucano destacou também que o governo Itamar forneceu as bases para que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso implantasse o Plano Real. “Como presidente da República, Itamar foi essencial para essa mudança. Deu todos os instrumentos para FHC implantar o Plano Real, que é comemorado 17 anos depois”, afirmou.

Amigo de Itamar há mais de 40 anos, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse à Agência Brasil que a atuação do ex-presidente consistia em "integridade, responsabilidade, austeridade e dignidade". “Desafio quem quer que seja a apontar uma vírgula sobre a atuação de Itamar que não tenha respeitado esses princípios", afirmou, emocionado.

O presidente nacional do DEM, José Agripino, afirmou que "a vida pública do Brasil perde uma de suas melhores referências” e destacou a importância do ex-presidente na criação da moeda nacional. Segundo ele, as marcas de Itamar eram a "probidade e espírito público". "No governo, determinado, estabeleceu os fundamentos ao Plano Real. Na oposição, vamos sentir falta de sua coragem, dos seus argumentos e de sua presença, que inspirava respeito", disse, em nota.

O líder do DEM na Câmara, deputado ACM Neto (BA), afirmou que a perda não é apenas do Estado de Minas Gerais, mas de todo o País. "Perdemos um grande brasileiro, um homem público de qualidades irretocáveis, um quadro que vai fazer uma falta imensa à oposição e ao Brasil”, lamentou, em comunicado.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que Itamar deixará um vazio no cenário nacional. “O Senado Federal e o Brasil perdem um grande político", disse.

Em nome do PT, o líder no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou que todos os senadores do partido puderam aprender e debater com Itamar. "Mesmo sabendo que em muitos momentos divergimos politicamente, sei que o Brasil hoje fica um pouco mais triste", disse, em nota.

O comunicado do PSDB foi divulgado pelo líder do partido na Câmara, deputado Duarte Nogueira. “Itamar teve um papel fundamental no período pós-impeachment, um dos momentos mais delicados e emblemáticos para a democracia brasileira, e também no processo de construção do Plano Real, que controlou a inflação e estabilizou a economia. Itamar conciliou política, honra e austeridade”, diz o texto.

Sérgio Cabral (PMDB), governador do Rio de Janeiro, disse que Itamar deu estabilidade política e monetária ao Brasil. O prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes (PMDB), também destacou a importância de Itamar na criação do Plano Real "Foi o presidente responsável pela mudança do rumo da história econômica do País", afirmou, em nota. "Sua morte é uma grande perda para todos os brasileiros", afirmou.

Em comunicado, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, disse que Itamar deixou "na política e na vida, a ética, a seriedade e a honestidade como valores intrínsecos a sua brilhante trajetória pública". Lacerda também destacou a "coragem" do ex-presidente em "defender suas posições" e o "legado de estabilidade econômica" deixado por ele. "É sem dúvida uma perda irreparável", afirmou.

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), afirmou no Twitter que "o Brasil perde com a morte de Itamar", a quem classificou de "homem público que lutou e ajudou a consolidar a democracia" no país.

A equipe da senadora Marta Suplicy (PT-SP) afirmou, pelo Twitter, que ela pediu um minuto de silêncio pela morte do senador durante seu discurso no Primeiro Congresso de Mulheres Dirigentes Petistas de São Paulo, onde soube da notícia.

Quem também lamentou a morte de Itamar foi o presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Em nota, ele disse que o ex-líder passará a fazer parte da "galeria dos que construíram a democracia" no Brasil. "Que este rumo que Itamar Franco trilhou seja partilhado com orgulho por aqueles que o conheceram e tiveram a honra de trabalhar com ele", acrescenta o comunicado.

Com Agência Brasil

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