'Reencontro será emocionante', diz prima da presidenta que aguarda visita na cidade de Sófia, capital da Bulgária

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A presidenta Dilma Rousseff desembarca nesta terça-feira em Sófia, capital da Bulgária, com o cuidado de não ser usada pelos políticos locais que concorrem a eleições daqui a duas semanas. Festejada como exemplo de uma "búlgara bem-sucedida", ela é vista como cabo eleitoral ideal dos candidatos envolvidos na campanha.

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A presidenta encontrará uma sociedade em convulsão, vivendo até um conflito étnico. Já os seus familiares, descontentes com a disputa política, insistem em manter o encontro apenas como "assunto privado".

Antes de viajar para Bulgária, Dilma esteve em Bruxelas, na Bélgica
AFP
Antes de viajar para Bulgária, Dilma esteve em Bruxelas, na Bélgica

Os políticos na Bulgária não escondem que seu objetivo é o de atrair investimentos brasileiros para a região, mergulhada na depressão econômica. O governo brasileiro não vê problemas em ser visto como esperança para o país, mas não pretende deixar que ela seja Dilma usada. "Será uma visita de Estado e estamos tentando manter o programa o mais institucional possível", comentou uma fonte do governo. O Planalto chegou a pensar em adiar a viagem para 2012, quando a eleição já terá passado, mas a agenda foi mantida.

Ainda assim, Dilma desembarca em meio a um caos social e político, com 18 candidatos à presidência. O partido de direita, tido como favorito, tem como candidato Rosen Plevneliev, apoiado pelo atual primeiro-ministro, Boyko Borisov. Já o presidente búlgaro, o socialista Georgi Parvanov, quer eleger um sucessor de seu próprio partido.

Disputa

A briga para aparecer ao lado de Dilma é escancarada. Boika Bashelieva, assessora de imprensa da Presidência, garantiu que a eleição não vai interferir na visita - e que os acordos serão assinado pelo presidente Parvanov.

O primeiro-ministro Borisov chegou a anunciar investimentos da Embraer, não confirmados, e vendeu a ideia que foi ele quem trouxe Dilma para Sófia.

"Dilma é uma das mulheres mais influentes do mundo", destacou numa entrevista. Ele não mede palavras para promover seu governo às custas da visitante. No Itamaraty, a ordem é a limitar ao máximo a presença de Dilma com o primeiro-ministro: o anfitrião é o presidente. Não bastasse a briga entre os dois, grupos de direita e a etnia roma (ciganos) têm promovido confrontos em algumas cidades.

Familiares

Se a disputa presidencial já é um complicador da visita, a decisão de Dilma de visitar Gabrovo, a cidade natal de seu pai, torna a situação ainda mais delicada: as eleições locais estão tão acirradas quanto a presidencial. O Planalto não quer ver Dilma transformada em cabo eleitoral nem quer que ela saia em fotos a serem mostradas em campanha.

Estamos em uma grande crise. Seria ótimo que Dilma viesse nos socorrer. Mas é nossa culpa termos políticos que não sabem administrar um país", diz estudante.

Em busca de reeleição, o prefeito da cidade armou uma festa para a visitante. O museu local abrigará uma exposição e a quinta-feira, dia da visita, será feriado municipal. Vários familiares de Dilma admitiram à reportagem estar "incomodados" com o assédio. Toshka Kovacheva, prima da presidenta, quer recebê-la "como uma parente", nada mais. "Para a família, esse reencontro será muito emocionante", afirmou. "Para nós ela é só uma parente que queremos conhecer".

O clima na cidade, no entanto, é de pouca festa. "Estamos em uma grande crise. Seria ótimo que Dilma viesse nos socorrer. Mas é nossa culpa termos políticos que não sabem administrar um país", disse Pia, uma estudante de direito de Sófia.

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