PMDB quer 50 cargos para seguir na defesa de Palocci

Bancada do Senado quer emplacar indicações pendendes no segundo escalão desde começo do governo

Adriano Ceolin, iG Brasília |

O PMDB tem na ponta da língua a solução para pacificar sua relação com o governo da presidenta Dilma Rousseff : cargos. Ao todo são cerca de 50 posições que ainda estão pendentes desde janeiro, quando começou a ser formado o segundo escalão.

Os peemedebistas se aproveitam da crise em torno do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, para conseguir as nomeações.“A caixa d´agua está enchendo. Palocci precisa ceder”, diz um senador do PMDB que costuma ser recebido no Palácio do Planalto.

Na semana passada, porém, Palocci entrou em rota de colisão com o PMDB ao ter uma discussão áspera com o vice-presidente da República, Michel Teme r. O chefe da Casa Civil ameaçou demitir os cinco ministros do PMDB por causa da derrota na votação do Código Florestal.

Presidência da República
Antes de embarcar ao Uruguai, presidenta e vice tiveram uma rápida reunião na base áerea de Brasília
Como a conversa vazou, Temer foi obrigado a vir a público para amenizar a discussão e anunciar uma trégua. Isso porque Palocci teria agido a mando da presidenta da República. Na manhã desta segunda, Dilma e o vice fizeram questão de serem fotografados amistosamente.

Ontem à noite, Temer recebeu a bancada do Senado em jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial da vice-Presidência da República. Temer tentou acalmar os ânimos, apesar de não explicitarem que o assunto de mais interesse eram as nomeações pendentes em empresas estatais e bancos públicos.

No afã de apaziguar a base, o vice-presidente adotou um discurso conciliatório no jantar e reiterou o apelo aos senadores peemedebistas para não assinarem o requerimento de abertura de CPI contra Palocci enquanto o procurador-geral da República não se manifestar. Os senadores, em contrapartida, reclamaram da dificuldade do acesso a Palocci e da falta de traquejo político do ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, que segundo eles “não tem autonomia suficiente para trabalhar”. Dos presentes todos concordaram em esperar o parecer de Roberto Gurgel, exceto Roberto Requião (PR) e Jarbas Vasconcelos (PE), que não compareceu à reunião.

Ex-senador e ex-governador da Paraíba, José Maranhão é o nome da bancada do Senado para presidir a Embratur. O grupo de senadores também tenta emplacar o ex-senadores Valter Pereira (Mato Grosso do Sul) e Helio Costa (Minas Gerais ) em alguma função.

“A bancada da Câmara já teve o que queria. O Geddel ( Vieira Lima, ex-deputado baiano ) , virou vice-presidente na Caixa e o Mendes Ribeiro ( deputado federal gaúcho ) ganhou a liderança do governo no Congresso. É a nossa vez agora”, afirmou um senador peemedebista.

No Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), as duas bancadas peemedebistas (Senado e Câmara) se unem para emplacar João Carlos Tupinambá numa diretoria do banco na área infra estrutura.

Desarticulação política

Os ministros do PMDB também se queixam da falta de audiência com Palocci. Desde a divulgação da notícia de que ele multiplicou o patrimônio por 20 em quatro anos, o chefe da Casa Civil tem recusado encontros com colegas peemedebistas na Esplanada.

Além de Palocci, há descontentamento generalizado com o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio. Segundo integrantes da bancada do Senado, o trânsito dele com os senadores peemedebistas é praticamente nulo.

A presidenta Dilma tenta retomar a articulação política com o PMDB na quarta-feira, quando receberá a bancada em almoço. O momento também será a oportunidade de o grupo reivindicar os cargos que ainda deseja.

* Com AE

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