PMDB pressiona e montagem do segundo escalão é adiada

Com ameaça de 'efeito Severino' na briga pelo comando da Câmara e discussão do mínimo, sigla consegue empurrar disputa por cargos

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Sob ameaça de que a eleição do petista Marco Maia (RS) para a Presidência da Câmara seja comprometida, o PMDB conseguiu barrar a distribuição de cargos no segundo escalão do governo da presidenta Dilma Rousseff . Os peemedebistas também incluíram na discussão o valor do salário mínimo de R$ 540 para 2011, que ainda será votado no Congresso.

Agência Estado
O vice-presidente Michel Temer afirmou que é preciso entendimento entre partidos da base para eleição na Câmara
Nesta terça-feira pela manhã, os líderes das bancadas do Senado e da Câmara fecharam a questão junto com o vice-presidente da República e presidente licenciado do partido, Michel Temer , de que o assunto será tratado apenas em fevereiro. Ao deixar o encontro, o líder da bancada na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), afirmou que o valor do mínimo "ainda será discutido".

"Queremos saber de perto as razões que levaram a isso ( ao valor de R$ 540 ). Desse papel, a bancada não pode abrir mão", disse. O líder do PMDB, porém, negou que a discussão do valor do mínimo esteja relacionada com a insatisfação na escolha de cargos de segundo escalão.

Por cerca de duas horas, Temer reuniu-se com o presidente do Senado José Sarney e os líderes Henrique Eduardo Alves, Câmara, (PMDB-RN) e Renan Calheiros, Senado, (PMDB-AL). Também participou do encontro o novo presidente do PMDB, o senador Valdir Raupp (PMDB-RO).

“Poderia haver uma crise com erros e injustiças na escolha de nomes, por isso Temer conseguiu convencer a presidenta Dilma a adiar essa discussão. A tendência é que ( a escolha do segundo escalão ) fique para fevereiro”, disse Henrique Eduardo Alves.

Efeito Severino

Em 2005, o então deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) conseguiu ser eleito presidente da Câmara ao se aproveitar de uma racha na base aliada. Na oportunidade, dois candidatos do PT disputaram o posto. A oposição aderiu à candidatura de Severino e parte da base também ficou com ele. O maior derrotado acabou sendo o Palácio do Planalto. Meses depois, estourou o escândalo do "mensalão".

A crise com partidos da base teve inicio antes mesmo da posse dos ministros, os chamados cargos de primeiro escalão. Isso porque mudanças já foram realizadas sem discussões prévias com os partidos. Segunda maior bancada na Câmara e maior no Senado, o PMDB foi a sigla que mais reclamou. Por isso, Temer levou o assunto para ser discutido na reunião de coordenação com a presidenta Dilma.

Como o iG mostrou na segunda-feira , o problema também reside no PP, PSB, PR e até no próprio PT. Por isso, o ministro-chefe da Casa Civi, Antonio Palocci, foi outro integrante do grupo de coordenação política que concordou com o adiamento da distribuição de cargos. Ficou claro que ele participará das discussões com o Congresso ao lado do ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio.

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