PMDB do Senado definiu cargos antes de votar salário mínimo

Apesar de não ter conseguido 100% dos votos, PMDB do Senado superou grupo da Câmara na conquista de cargos de segundo escalão

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Mesmo com seis dissidências na votação do salário mínimo de R$ 545, o bloco PMDB e PP do Senado garantiu cargos no segundo escalão da presidenta Dilma Rousseff . O grupo acertou a manutenção de postos estratégicos e, diferentemente do PMDB da Câmara, liquidou a fatura antes mesmo da votação realizada na noite desta quarta-feira (23).

O trio peemedebista Romero Jucá (RR), Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP) negociou os cargos sem alarde ao longo de duas semanas. Segundo o iG apurou, uma lista chegou a ser produzida com os pleitos de cada setor do partido. Entraram em jogo postos na Petrobras, na Caixa Econômica Federal, na companhia de energia Furnas e no Banco do Brasil.

A parceria do PMDB com o PP foi decisiva. Juntos os dois partidos formam uma bancada de 24 senadores. No Senado, o bloco ainda conta com o apoio formal de mais três senadores de PSC, PV e PMN. Extra oficialmente, o grupo ainda tem o respaldo do PTB. Ainda no começo do ano, Renan dedicou-se a garantir Gim Argello (DF) como líder da bancada petebista.

“A parceria entre o PP e o PMDB Senado é fantástica. A gente só tem um cargo na Mesa Diretora porque o PMDB nos indicou”, afirmou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), quarto-secretário da Casa. Ele negou, porém, que a votação do salário mínimo na noite desta quarta-feira tivesse qualquer relação com a indicação de cargos do segundo escalão.

O iG apurou que a votação ajudou a consolidar a indicação do ex-deputado Inaldo Leitão (PB) como homem no PP no Departamento de Nacional de Trânsito (Denatran). O órgão é vinculado ao Ministério das Cidades, hoje comandado pelo deputado pepista Mário Negromonte (BA). No entanto, a parceria com o PMDB garantiu o Denatran para o PP.

Outro exemplo da “joint venture” foi a permanência de Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento da Petrobras. Indicado pelo PP em 2005, Costa correu o risco de perder o posto no começo do governo Dilma. Há 10 dias, no entanto, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) pediu a ajuda a Renan. Juntos PMDB e PP assumiram a indicação.

Caixa, Furnas e Banco do Brasil

O PMDB do Senado também tentará garantir o emprego do ex-governador da Paraíba José Maranhão. Ele é o nome da bancada para ganhar a diretoria de Loterias da Caixa Econômica Federal. No banco estatal, também deve ganhar uma vaga o candidato derrotado ao governo da Bahia pelo PMDB, Geddel Vieira Lima.

Em Furnas, os senadores peemedebistas Valdir Raupp (RO) e Romero Jucá (RR) querem garantir, cada um, a manutenção de duas diretorias. Presidente em exercício do PMDB, Raupp articula a manutenção de Márcio Arantes Porto na diretoria de Construção de Furnas.

Como iG mostrou na semana passada , a bancada do PMDB mineiro na Câmara também tenta indicar um nome do grupo para uma diretoria de Furnas. Segundo os deputado Newton Cardoso e Leonardo Quintão (ambos do PMDB-MG), o indicado é o ex-deputado Marcos Lima.

Em outra “joint venture”, o PP tenta se unir ao PR, que também votou em peso no salário mínimo de R$ 545. Juntos os partidos tentam garantir o comando de uma vice-presidência do Banco do Brasil. Senador em primeiro mandato, o ex-governador Blairo Maggi (PR-MT) é um dos padrinhos do nome que pode ser confirmado nos próximos dias.

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