PMDB da Câmara exige dois ministérios em reunião com Padilha

Deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG) lê documento que ressalta que ministros 'terão de passar pela bancada'

Adriano Ceolin, iG Brasília |

A bancada do PMDB na Câmara reuniu-se, nesta quarta-feira, para deixar clara a exigência de indicar pelo menos dois nomes para compor o Ministério da presidenta eleita Dilma Rousseff (PT). O encontro ocorreu com a presença do vice-presidente eleito Michel Temer e do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

No atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PMDB comanda cinco pastas: Saúde, Agricultura, Defesa, Integração Nacional e Comunicações. Está quase certo que deverá perder as duas últimas: ex-ministro do Planejamento, Paulo Bernardo irá ocupar as Comunicações. Já Integração Nacional é negociada com o PSB.

A reunião da bancada foi conduzida pelo líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Nos últimos dias, ele tem sido a principal voz dissonante em relação à montagem do futuro governo. O encontro, porém, foi amenizado pela presença de Temer e Padilha. “O ministro não foi convidado, mas manifestou o desejo de comparecer”, disse Alves.

Em seguida, ele pediu para que a imprensa deixasse a sala de reunião. Só permaneceram os atuais deputados, os que se reelegeram e os que conquistaram seu primeiro mandato. Logo na abertura do encontro, o deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG) leu documento em que ressalta que os nomes de ministros do PMDB “terão de passar pela bancada”.

Após a fala de Quintão, foi a vez de Padilha fazer um breve discurso. Ele elogiou a bancada como importante aliada do atual e do futuro governo. Ao deixar a reunião, Padilha preferiu não confirmar sua permanência no governo Dilma. “Me ofereço para ajudar a presidenta dentro ou fora do governo”, afirmou.

Antes mesmo da reunião começar, Temer disse que os dois ministeriáveis do partido anunciados, Sérgio Côrtes (Saúde) e Nelson Jobim (Defesa), não são da cota do PMDB apesar de serem filiados à sigla. Côrtes foi anunciado ministro pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Já a manutenção de Jobim é um pedido do presidente Lula.

Segundo o iG apurou, Temer ficou irritado com o anúncio de Sérgio Côrtes como ministro da Saúde pelo governador Sérgio Cabral. O vice-presidente tenta convencer Dilma de que as bancadas do Congresso (Senado e Câmara) querem indicar dois ministros cada uma. O próprio Temer tenta manter seu aliado político, Wagner Rossi (PMDB-SP), na Agricultura. Na tarde de hoje, Dilma disse que ainda não escolheu o ministro da Saúde.

A bancada do Senado tem como prioridade garantir a volta do senador Edison Lobão (PMDB-MA) ao Ministério de Minas e Energia. Nesta terça, os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL) se reuniram com Dilma. Eles disseram à presidente que, além da pasta de Minas e Energia, querem mais um ministério para a bancada.

Deputados e senadores do PMDB tentam emplacar um nome para a pasta das Cidades, hoje sob o comando do PP. O mais cotado é o ex-governador do Rio de Janeiro Moreira Franco, que tem como padrinho Michel Temer. O nome de Moreira, no entanto, enfrenta resistência junto à bancada de peemedebistas no Senado.

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