PMDB age para evitar que PSB se torne aliado preferencial do PT

Partido de Temer quer evitar que PSB de Eduardo Campos, governador recordista em reuniões com Dilma, fique com a vice em 2014

Nara Alves, iG São Paulo |

O casamento do PT com o PMDB, selado pela aliança entre a presidenta Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer , pode estar correndo o risco de terminar de maneira precoce. A avaliação é feita por líderes do PMDB, que vêem no PSB potencial para tirar-lhes o posto de “aliado preferencial” do governo nas eleições de 2014.

Na tentativa de evitar que o casamento PT-PMDB termine nas bodas de flores, quando a união completa quatro anos e termina o primeiro mandato de Dilma, o diretório nacional do PMDB orientou que o partido privilegie candidatos próprios. O objetivo é fortalecer a sigla para garantir o enlace com o governo na próxima eleição presidencial e tentar estar ao lado do PT numa eventual reeleição da presidenta até as bodas de cobre, quando a aliança completaria oito anos.

Presidência da República
Peemedebistas temem que, se o partido sair enfraquecido da eleição de 2012, a eleição de 2014 pode colocar o PSB no posto de aliado preferencial

Embora PT e PMDB se esforcem para mostrar entrosamento, entre quatro paredes peemedebistas temem que a relação se estremeça diante do crescimento do PSB, comandado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos. E o temor é justificado com base na agenda da presidenta: Campos é o governador recordista em audiências com Dilma, de acordo com levantamento realizado pela reportagem.

Desde que iniciou seu mandato, há sete meses, a presidenta recebeu Campos cinco vezes. Por três oportunidades, o pernambucano foi recebido com outros governadores. Outras duas vezes, em 1º de fevereiro e 13 de maio, a audiência foi particular.

Somente dois governadores, Tarso Genro (RS) e Marcelo Déda (SE), ambos petistas, tiveram dois encontros reservados com Dilma. Os demais governadores foram recebidos apenas uma vez, sem distinção entre tucanos, democratas ou peemedebistas. Ser do partido do vice não é garantia de prioridade na agenda da presidenta. Como relatou um cacique peemedebista ao iG , há governadores do partido que aguardam há seis meses uma resposta a um pedido de audiência com Dilma. "Alguém tem dúvida de que, se o PMDB chegar enfraquecido na eleição, o lugar pode ficar com o PSB?", indagou.

Apesar da insatisfação com o tratamento dado, líderes do PMDB fazem questão de demonstrar a força da aliança com o PT. Símbolo disso é o bolo de casamento que o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), deu de presente para o PT na última terça-feira. Nos bastidores, o agrado que celebrou o “amor à 15ª vista” entre Dilma e Temer foi interpretado como um recado de que o PMDB não está disposto a ceder tão facilmente seu posto no governo.

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