PM que acusa ministro alega doença e não presta depoimento à PF

Pedido para depor partiu do próprio PM João Dias

Severino Motta, iG Brasília |

O Policial Militar João Dias, que acusa o ministro dos Esportes Orlando Silva de ter comandado um esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo, não compareceu à Polícia Federal (PF) para prestar esclarecimentos sobre o caso.

De acordo com a PF, “de maneira espontânea”, Dias se ofereceu para falar nesta manhã, mas um ofício de seu advogado foi enviado alegando problemas de saúde. Devido a isso não há nova data marcada para o depoimento.

Paralelamente aos esclarecimentos espontâneos, Dias deve ser intimado para depor sobre o caso. Isso porque a PF deve abrir nesta semana um inquérito para investigar o suposto esquema de desvio de recursos públicos, ou simplesmente incluir o caso Orlando Silva em investigações já em curso na pasta dos Esportes.

Caso
Em entrevista à revista, o policial militar João Dias Ferreira – que integra um grupo de cinco pessoas presas no ano passado sob acusação de desviar recursos de um programa federal ligado à pasta – afirmou que Orlando teria recebido pessoalmente remessas de dinheiro oriundo do esquema na garagem do Ministério do Esporte. “Por um dos operadores do esquema, eu soube na ocasião que o ministro recebia dinheiro na garagem”, disse o policial, segundo a reportagem.

De acordo com o policial, ONGs recebiam recursos federais mediante o pagamento de uma taxa previamente negociada, que chegava a 20% do valor dos convênios. O partido seria responsável por indicar desde os fornecedores até pessoas encarregadas de providenciar notas frias para justificar as despesas fictícias.

A reportagem liga o ministro às denúncias de desvios no programa Segundo Tempo, que já havia se tornado alvo de investigações federais por suspeita de fraude. As denúncias ganharam repercussão em reportagens do jornal O Estado de S. Paulo , segundo as quais o programa serviria de canal para gerar dividendos eleitorais para o PCdoB. Apesar das denúncias, o programa foi tema da propaganda partidária do PCdoB , estrelada pelo próprio Orlando Silva, como publicou a coluna Poder Online .

Orlando disse à Veja que tinha conhecimento de que o policial ameaçara fazer denúncias públicas envolvendo sua pasta e admitiu ter recebido João Dias no ministério, a pedido de seu antecessor no ministério e atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. “Durante um ano esse sujeito procurou gente do ministério e fez ameaça, insinuação. E qual foi a nossa posição? Amigo, denuncie, fale o que você quiser. Por quê? Porque como nós temos convicção de que o que foi feito foi o correto, nós não tememos."

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