Plano de carreiras divide funcionários do Senado

Na tentativa de apaziguar ânimos, diretora da Secretaria de Recursos Humanos dispara e-mail onde expõe divergências sobre projeto

Fred Raposo, iG Brasília |

O novo plano de carreiras do Senado, que pode ir a Plenário nesta quarta-feira, dividiu os funcionários da Casa. A disputa interna das categorias, por maiores salários e benefícios, foi explicitada em e-mail disparado pela diretora da Secretaria de Recursos Humanos do Senado, Dóris Marize Romariz Peixoto.

Na mensagem eletrônica, obtida pelo iG , que aterrissou na caixa postal dos servidores na manhã de terça-feira, a diretora tenta apaziguar os ânimos dos funcionários. Dóris afirma, no texto, ter surgido "grande inquietação no corpo funcional da Casa", depois que foi decidido pelo adiamento da implementação do Adicional de Especialização, que beneficiaria principalmente servidores intermediários.

A medida, que constava em redações anteriores do projeto, aumentaria, segundo reclamações recebidas pela Secretaria, o abismo salarial entre a remuneração dos consultores - considerados a elite do Senado - e o valor recebido pelos demais servidores.

Outro ponto que irritou funcionários da Casa foi a redução da Gratificação de Desempenho dos funcionários. Inicialmente, a proposta consensual previa a gratificação de 60% para este ano e de 80% para 2011. No novo texto, os percentuais caíram, respectivamente, para 40% e 60%.

A diretora explica, na mensagem, que o debate sobre o projeto começou em 2009. No início do ano, uma primeira proposta "foi elaborada e creditada aos consultores". Em seguida, uma comissão formada por representantes das categorias formulou uma segunda proposta, denominada "proposta de consenso" - que, segundo Dóris, "deu tratamento mais igualitário" às categorias.

"A hora é de somar e não de dividir", diz diretora

Na semana passada, a Mesa Diretora do Senado aprovou o novo texto, sem a concordância da senadora e 2a vice-presidente, Serys Slhessarenko (PT). Em nota divulgada na segunda-feira, o Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo (Sindilegis) se disse "surpreendido" com a proposta encaminhada pela Mesa. "A minuta não coincide, na íntegra, com a proposta originária consensuada entre os setores da Casa que beneficiava a todos de forma igualitária", diz o comunicado.

Em tom conciliador, a diretora afirma no e-mail que as mudanças na proposta foram tomadas pela "Alta Administração da Casa", em certos casos acatando sugestões dos próprios servidores. "A hora é de somar e não de dividir", escreveu Dóris. Procurada pela reportagem, a diretora não foi localizada, pois teria passado o dia em reuniões.

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