Planalto tenta diminuir poder de Cunha no governo e no PMDB

O principal alvo é o comando da companhia de energia elétrica Furnas; o deputado e a bancada do Rio tentam indicar o presidente

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Na guerra por cargos em segundo escalão, o governo já escolheu um vilão a ser abatido. Trata-se do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O Palácio do Planalto quer diminuir os espaços de poder que tenham qualquer vinculação com o congressista que exerce, sozinho, influência sobre um grupo de 20 deputados.

Futura Press
O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) já articula a favor de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para um cargo no 2º escalão do governo
O principal alvo é o comando da companhia de energia elétrica Furnas. O atual presidente da empresa estatal, Carlos Nadalutti, foi oficialmente indicado pela bancada do PMDB do Rio de Janeiro. Com Eduardo Cunha à frente, o grupo conta com 10 deputados  - o maior entre as bancadas regionais peemedebistas. Enquanto a briga esquentava, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, anunciava, nesta quinta-feira, que o técnico Flávio Decat deve ser o novo presidente de Furnas .

A mais recente demonstração de poder de Cunha foi a eleição da deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) para a primeira vice-presidência da Câmara. Antes de concorrer no plenário, ela teve de vencer a disputa dentro da sua bancada. Com a ajuda do grupo de Cunha, Rose derrotou quatro candidatos.

Interlocutor do partido para a negociação de cargos em segundo escalão, o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves, já saiu em defesa de Eduardo Cunha. Na maioria das vezes, reforça que a indicação de Furnas é da bancada do PMDB e não apenas do deputado fluminense.

“E se a bancada do PMDB do Rio de Janeiro, que é a maior, não puder indicar quem deseja, não sei o que poderá acontecer”, disse Alves. No começo desta semana, o líder foi reconduzido ao posto na mesma reunião em que Rose de Freitas foi escolhida candidata a primeira vice-presidente da Câmara.

O vice-presidente da República, Michel Temer , já mandou recados a rivais de Cunha que não têm qualquer ligação com o deputado do PMDB fluminense. “Acontece que sempre que eu ia à residência oficial da presidência da Câmara ( cargo ocupado por Temer até dezembro passado) Cunha e o Henrique Alves estavam lá”, contou um peemedebista.

Temer e Alves são os principais interlocutores do PMDB no governo. No começo do ano, eles atuaram juntos para barrar a nomeação de cargos de segundo escalão. Dias depois, começaram a aparecer denúncias sobre operações suspeitas envolvendo a compra de ações de uma empresa ligada a Eduardo Cunha.

Trincheira no Twitter

Para se defender de críticas e ataques, Cunha passou a usar o Twitter para se defender. Ele disse que “setores do PT” estiveram por atrás das denúncias. “Repito setores, e não o PT como todo, buscando tomar cargos dos aliados. Só não falam dos diretores deles e suas incompetências”, escreveu na semana passada.

Diante da possibilidade de ser aberta uma CPI para investigar Furnas, o deputado respondeu que aceita a proposta do deputado Antonio Imabassay (PSDB-BA), fez uma ameaça: “Vamos investigar tudo que ocorreu no gov ( erno ) FHC ( Fernando Henrique Cardoso ) e tambem todo o setor. Vai ser bom”.

Nesta quarta-feira, Eduardo Cunha quis desmentir ter feito ameaças contra o governo. “Quanto a nova tentativa de me vincularem a supostas ameaças, quero dizer que nãoo sou homem de fazer ameaças. Não tenho denuncias a fazer”, disse.

Além do Twitter, outro veículo usado por Cunha é o rádio. Todos os dias ele participa de um programa matinal na rádio Melodia, do Rio de Janeiro. Faz comentário num horário em que a emissora é vice-líder de audiência.

Com a experiência de quem já foi aliado do PT e depois virou inimigo, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, afirmou “que não há solidariedade no governo”. “É um fazendo dossiê contra o outro. As pessoas adoram ocupar espaços em cima da má reputação do próximo”, disse.

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