Dilma disse haver uma 'guerra política' para desestabilizar governo; oposição pede investigação ao Coaf e à Procuradoria

O Palácio do Planalto montou um plano para proteger o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, diante da notícia de que ele teria multiplicado por 20 seu patrimônio em um período de quatro anos. Após a decisão anunciada ontem pela Comissão de Ética Pública da Presidência de não apurar o caso, entretanto, a oposição pediu, nesta terça-feira, a abertura de uma série de investigações formais contra o ministro. 

Uma comissão de deputados do PSDB protocolou, junto ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), no Ministério da Fazenda, um pedido de esclarecimentos sobre eventuais investigações relativas a transações bancárias realizadas Palocci ou pelas empresas das quais ele é sócio. As indagações feitas pelos parlamentares se referem às movimentações de valor acima de R$ 100 mil, alvo de monitoramento por parte do órgão.

O líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), disse que foram pedidas informações sobre eventuais procedimentos administrativos arquivados para investigar o ministro. "O Coaf pode até alegar que essas informações estão protegidas por sigilo, mas pode também informar, ao menos, se houve investigação. Dependendo da resposta, vamos dar sequência às nossas indagações", afirmou o líder tucano.

O PPS também entrou formalmente nesta tarde com uma representação na Procuradoria-Geral da República solicitando a abertura de uma investigação sobre o caso. No documento apresentado, o partido sugere que a empresa de Palocci "esteja sendo utilizada como um mero anteparo para escamotear o crescimento vertiginoso" do patrimônio pessoal do ministro e questiona sobre clientes, serviços de consultoria prestados e faturamento da empresa.

Defesa

No Planalto, a presidenta Dilma Rousseff aproveitou a reunião da coordenação política realizada ontem para tratar o assunto como parte de um jogo político para desestabilizar o início da gestão. "Isso é guerra política, mas não tem como prosperar", afirmou a presidenta, segundo relatos de dois ministros presentes à reunião. O próprio Palocci estava presente.

Já o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que vai esperar receber todos os elementos que serão apresentados a ele para então pedir informações ao ministro. Com base nessas informações, Gurgel pode pedir a abertura de uma investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), já que Palocci tem foro privilegiado, ou simplesmente arquivar o assunto caso não encontre indícios de irregularidades. Por enquanto, Gurgel recomenda um 'olhar cuidadoso' sobre o caso.

Apesar da movimentação dos partidos de oposição, Palocci teve entre seus defensores o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB), que declarou no fim da tarde de ontem que não se deve "crucificar" o ministro."Não tenho o papel de julgador a esse respeito. Acho normal que uma pessoa tenha rendimentos quando não está no governo e que esses rendimentos promovam uma variação patrimonial", disse Serra, após se reunir na capital paulista com o presidente do PT, Rui Falcão.

Além de Serra, o Aécio Neves (PSDB-MG) também adotou um tom ameno ao pedir serenidade e firmeza à oposição. Além disso, Aécio afirmou que não há interesse em "desestabilizar o governo". O senador, que participou da reunião da bancada tucana que decidiu sobre a representação para que Palocci seja investigado pela Procuradoria-Geral, negou que o PSDB esteja num tom mais baixo que o restante da oposição e disse se tratar de uma questão de perfil.

Por outro lado, algumas vozes isoladas dentro do próprio governo pediram que o ministro torne pública sua declaração de Imposto de Renda, para dissipar as dúvidas sobre seu patrimônio. Os senadores petistas Walter Pinheiro (BA) e Eduardo Suplicy (SP) disseram esperar que o ministro dê mais detalhes sobre sua atuação empresarial, que teria lhe garantido os rendimentos para adquirir em 2010, num bairro nobre de São Paulo, um apartamento de R$ 6,6 milhões. Um ano antes, ele havia adquirido um escritório por R$ 882 mil. 

Os imóveis, segundo revelou o jornal Folha de S. Paulo , foram comprados pela empresa Projeto, da qual o ministro tinha 99,9% do capital. Em 2006, quando concorreu a deputado, Palocci declarou patrimônio de R$ 375 mil.

*Com informações da Agência Estado

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