Planalto quer vetar mudanças no projeto do mínimo no Senado

Governo articula para evitar que possíveis alterações no projeto na Casa devolvam o texto à Câmara e atrase o reajuste

Andréia Sadi, iG Brasília |

A pedido de Dilma Rousseff , o vice-presidente, Michel Temer , trabalha junto à cúpula do PMDB desde a semana passada para evitar mudanças na proposta do salário mínimo no Senado. Em conversa na sala da vice-presidência com o presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), e o líder do governo na Casa, Romero Jucá (RR), Temer pediu que o partido não altere o texto aprovado na Câmara que fixa o salário mínimo em R$ 545 já em março. A preocupação do Planalto é que, se houver mudança no texto, o projeto pode voltar à Câmara, o que pode atrasar o reajuste. O Senado votará a proposta nesta quarta-feira (23). “A preocupação é neste sentido de evitar iniciativas como emendas no projeto”, disse Raupp ao iG .

Segundo a reportagem apurou, Temer deve convocar amanhã o líder Renan Calheiros (AL) para uma conversa na vice-presidência. O senador já declarou que gostaria de acrescentar um dispositivo para garantir o ganho real para o salário mínimo em períodos nos quais o Produto Interno Bruto (PIB) for negativo. Temer, no entanto, vai apelar para Renan desistir da iniciativa. Na reunião entre Temer, Raupp e Jucá; Renan alegou compromisso e não compareceu. “Depois desta conversa, acho que Jucá já falou com Renan”, disse o presidente do PMDB.

O presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), senador Eunício Oliveira (CE), afirmou ser contra qualquer mudança no projeto e acredita que o PMDB não causará problemas para o governo. “Esta novela precisa acabar logo. O relator ( Romero Jucá ) já disse que vai dar parecer contrário a qualquer emenda”, disse ele ao iG .

Na Câmara, o PMDB garantiu apoio de 100% ao projeto do governo. O PT, partido de Dilma, teve duas dissidências. A votação que derrubou os R$ 560, foram 361 votos contra, 120 favoráveis e onze abstenções. Com maioria folgada no Senado, o governo espera aprovar o reajuste de R$ 545 com a “mesma facilidade” que teve na Câmara.

O PMDB espera até três dissidências na votação, mas quer entregar- assim como na Câmara- 100% dos votos ao governo. “Estamos trabalhando com 0 a 3 votos contrários, mas podemos reverter o quadro”, espera Raupp. As dissidências esperadas são Pedro Simon (RS), Jarbas Vasconcelos (PE) e Luiz Henrique (SC).

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