Planalto ensaia blindagem, mas pressão sobre ministro aumenta

Com Dilma fora do País, colegas de Esplanada decidem sair em defesa de Orlando Silva; oposição cobra explicações e endurece tom

iG São Paulo |

Diante das pressões provocadas pelas denúncias contra o ministro do Esporte, Orlando Silva, o Palácio do Planalto começou a ensaiar uma operação de apoio ao auxiliar da presidenta Dilma Rousseff . Oficialmente, colegas de Esplanada e dirigentes de partidos da base decidiram investir na tese de que o governo está satisfeito com as explicações iniciais do ministro e avaliam que ainda não há provas concretas de que o ministro de fato teria recebido propina proveniente de convênios federais com ONGs, como relatou a edição da revista Veja deste fim de semana.

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Pressões sobre o ministro do Esporte ganharam força nesta segunda-feira
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Na manhã desta segunda-feira, depois de o ministro ser chamado na noite de ontem para uma reunião no Planalto, ao menos quatro ministros – a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann , o titular da Justiça, José Eduardo Cardozo, o do Trabalho, Carlos Lupi, e o da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, procuraram amenizar as denúncias.

Cardozo avisou ainda que acionará a Polícia Federal para investigar o caso, a pedido de Orlando Silva. Dilma, ao desembarcar nesta manhã na África do Sul, evitou de início alimentar a polêmica e preferiu não responder a questionamentos sobre o assunto . Mais tarde, a presidenta saiu em defesa da presunção de inocência do auxiliar. " Temos um princípio democrático e civilizatório. Nós presumimos inocência", disse Dilma.

Pessoas próximas ao governo passaram a repetir a versão de que falta credibilidade ao policial militar João Dias e ao motorista Célio Soares Pereira, a quem a revista atribui a denúncia. “Ainda é cedo para um posicionamento, até porque estamos falando de testemunhas cuja credibilidade é questionável”, comentou um petista com trânsito no Palácio do Planalto. As declarações de Lupi nesta segunda-feira seguiram a mesma linha. "A fonte que denuncia o ministro Orlando Silva não tem muita credibilidade, ele já foi até preso", disse, à rádio Estadão/ESPN.

As pressões contra o ministro, no entanto, começaram a aumentar nesta segunda-feira. Orlando Silva já era visto antes mesmo das denúncias como possível alvo de uma reforma ministerial no governo da presidenta Dilma. Agora, partidos de oposição, que pediam o seu afastamento desde o fim de semana , se preparam para formalizar pedidos de investigação.

O DEM, por exemplo, pretende apresentar um requerimento à Câmara para que os autores da denúncia prestem esclarecimentos. Além de requerer os depoimentos, a oposição quer acionar o Ministério Público. O PPS promete protocolar uma representação sobre o caso na Procuradoria-Geral da República. Já o ex-governador José Serra veio a público para comentar o caso e afirmou que o governo petista é uma "central de corrupção" .

O apoio ao ministro, entretanto, ainda depende dos desdobramentos do caso e das explicações que serão dadas ao Congresso nesta semana. Orlando Silva deve falar nas comissões de Fiscalização Financeira e Controle e Turismo e Desporto, a pedido da base do governo. A estratégia do ministro apoia-se também no pedido feito ao Ministério da Justiça para acionar a PF.

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Cardozo atendeu ao pedido do ministro do Esporte e pedirá abertura de inquérito na PF
Copa

As pressões contra o ministro do Esporte partem também dos personagens envolvidos nos preparativos da Copa de 2014. A Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) dão sinais de que pretendem usar a crise para reconquistar espaço que havia sido ocupado pelo governo na definição de leis que vão guiar a competição.

A cúpula da Fifa teme que o escândalo atrapalhe as negociações para a definição das leis da Copa, o que contribui para que o órgão e a CBF trabalhem para isolar Orlando Silva e reduzir sua influência. Segundo fontes na Fifa, essa estratégia já começou a ser implementada.

Nesta semana, a Fifa deve anunciar as sedes da Copa do Mundo, a agenda de jogos e a Copa das Confederações. O governo foi convidado a participar das reuniões.

* Com informações de Clarissa Oliveira e Nara Alves, iG São Paulo, Adriano Ceolin, iG Brasília, e Agência Estado

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