Pietá: PT abandonou Palocci por causa de enriquecimento pessoal

Secretário-geral do partido divulga artigo na internet em que critica 'alto padrão de vida' que ex-ministro se concedeu

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Em artigo publicado na página do PT e intitulado O PT e a crise do ministro Palocci , o secretário-geral do partido, Elói Pietá, diz que a legenda não saiu em defesa do ex-ministro da Casa Civil por causa de seu súbito enriquecimento pessoal.

“O que causou espanto e levou os petistas a não apoiarem sua permanência no governo, foi a origem de seus ganhos privados ( orientar os negócios de grandes empresas ), a magnitude dos resultados ( dezenas de milhões de reais ), e o alto padrão de vida que ele se concedeu ( representado pelo investimento em moradia fora de sua própria origem de classe média )”, disse Pietá, que integra a corrente Mensagem ao Partido e ocupa o segundo cargo mais importante na hierarquia petista.

“O PT mostrou que prefere o político de vida simples que conhecemos, ao empresário muito bem sucedido sobre o qual agora se fala”, completou. Segundo o secretário-geral petista, a defesa de Palocci afastaria tanto o PT quanto a presidenta Dilma Rousseff dos eleitores e da população que é objeto dos programas sociais do governo.

“Para os petistas, não sair em defesa de Palocci foi uma reação contra o risco de distanciamento do PT em relação à sua base social. Por isso estamos com a presidenta Dilma e apoiamos sua dolorosa atitude nesta hora. Mesmo tendo que perder um ministro tão importante, ou tendo que parecer vencida pela pressão das oposições, ela preferiu não perder o sentido social de seu governo”, diz o artigo.

Durante as três semanas de crise que precederam a queda de Palocci, era comum ouvir de petistas que o partido não sairia em defesa do então ministro, ao contrário do que fizera em casos mais agudos como o do ex-tesoureiro Delúbio Soares no escândalo do mensalão. O motivo era o fato de as suspeitas envolvendo a Projeto dizerem respeito apenas ao enriquecimento privado de Palocci, enquanto Delúbio teria cometido ilegalidades para financiar campanhas petistas.

Pietá lembra que o PT passou a se aproximar dos grandes empresários na medida em que ganhou eleições e poder mas que hoje o partido defende o financiamento público de campanhas justamente para não depender das doações de empresas.

“Não queremos sair do que fomos. Sabemos que as relações econômicas e as condições materiais de vida terminam moldando idéias e ações”, diz o texto que cita pensadores como Platão, Maquiavel, Engles, Marx, Max Weber, Kant e até a Revolução Francesa para embasar a argumentação.

Pietá não cita outros petistas que se transformaram em ricos consultores como o também ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, ou aqueles que já nasceram ricos, como os senadores Eduardo e Marta Suplicy e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nem o próprio ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem cobrado centenas de milhares de reais por palestras encomendadas por grandes empresas. O secretário-geral do PT foi procurado para comentar o artigo mas não foi encontrado.

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