Peritos do Instituto Nacional de Criminalística dão início a buscas no Vila Formosa, o maior da América Latina

Peritos do Instituto Nacional de Criminalística, vinculado à Polícia Federal (PF), iniciaram ontem pesquisa no Cemitério de Vila Formosa, o maior da América Latina, em São Paulo, em busca de sepulturas onde estariam corpos de pelo menos dez desaparecidos políticos no auge da repressão militar. A missão é coordenada pela procuradora da República Eugênia Augusta Fávero.

"Estamos dando início a um trabalho de verificação do solo porque constatamos que cerca de dez desaparecidos foram sepultados aqui em quadras que ainda conservam algumas sepulturas originais", explicou a procuradora. "Nessa fase não vamos exumar, vamos apenas delimitar a localização das sepulturas."

Segundo Eugênia, o Ministério Público Federal (MPF) recebeu informações sobre dissidentes que teriam sido enterrados clandestinamente, como indigentes, em uma quadra identificada pelo número 11. "Há suspeitas de que essa quadra pode ter sido totalmente descaracterizada propositalmente por volta de 1976. Já ingressamos com ação contra o município e o Estado porque, ao que tudo indica, houve mesmo uma manobra de ocultação."

A procuradora destaca que um dos corpos que pode estar em Vila Formosa é o de Virgílio Gomes da Silva, o Jonas, apontado como líder do sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, ocorrido em setembro de 1969.

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