PF no Amapá escolta governador e vice até Brasília

Na capital federal, Pedro Dias e o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Júlio Miranda, ficarão detidos na Polícia Federal

Menezes y Morais, iG Brasília | 10/09/2010 19:10 - Atualizada às 21:44

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Presos na manhã desta sexta-feira (10) pela Polícia Federal na Operação Mãos Limpas, o governador Pedro Dias (PP), candidato à reeleição, e o ex-governador Waldez Góes (PDT), postulante ao Senado, devem chegar em um voo a Brasília às 22h desta sexta-feira sob escolta de agentes da PF.

Com eles, também devem chegar outros presos pela PF nos 18 mandatos de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do Amapá (TJ). Em Brasília, Pedro Dias e o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Júlio Miranda, ficarão detidos na Superintendência da Polícia Federal, enquanto os demais envolvidos irão direto para o complexo penitenciário da Papuda, segundo a PF.

Com a prisão do governador licenciado e do governador em exercício, o presidente do TJ, desembargador Dôglas Evangelista Ramos assumiu o governo hoje à tarde, porque o presidente da Assembleia Legislativa do Estado e candidato ao governo, Jorge Amanajás (PSDB), recusou ser empossado no cargo para não ficar inelegível.

Com a saída de Góes, o presidente do TJ assumia a função de vice-governador na ausência de Pedro Dias. Sobre Dias e Góes – e os demais presos pela PF na “Operação Mãos Limpas” – recai a suspeita formação de uma quadrilha instalada no coração do poder local – o palácio do governo – que desviava recursos públicos da União e do Estado.

Investigação

Conforme a PF, que investigava o suposto grupo do  governador e vice-governador desde agosto de 2009, as investigações contaram com o auxílio da Receita Federal, da Controladora Geral da União (CGU) e do Banco Central (BC), sob a presidência do STJ.

A PF do Amapá revelou que os envolvidos são investigados pelas práticas de crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, advocacia administrativa, ocultação de bens e valores, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, tráfico de influência, formação de quadrilha, entre outros.

Ainda segundo a PF, as investigações revelaram “indícios de um esquema de desvio de recursos da União, repassados à Secretaria de Educação do Amapá, provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef).

Contratos

Entre os suspeitos presos estão empresários, políticos e servidores do governo estadual. Durante as investigações, foi constatado que “a maioria dos contratos administrativos firmados pela Secretaria de Educação não respeitava as formalidades legais e beneficiava empresas previamente selecionadas.”

As informações divulgada pela PF revelam ainda que “apenas uma empresa de segurança e vigilância privada manteve contrato emergencial por três anos com a Secretaria de Educação, com fatura mensal superior a R$ 2,5 milhões e com evidências de que parte do valor retornava aos envolvidos sob forma de propina.”

A PF revelou ainda ter constatado que “o mesmo esquema era aplicado em outros órgãos públicos.” E que foram identificados “desvios de recursos no Tribunal de Contas do Estado, na Assembleia Legislativa, na Prefeitura de Macapá, nas Secretarias de Estado de Justiça e Segurança Pública, de Saúde, de Inclusão e Mobilização Social, de Desporto e Lazer e no Instituto de Administração Penitenciária.”

 

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