PF busca indícios de fraude em filiação de deputados ao PSD no Rio

Parlamentares estaduais são suspeitos de adulterar documento para aparecerem como fundadores e não perderem mandato, por infidelidade

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

AE
Liderança do PSD no Rio, Índio da Costa convenceu deputados a entrar no partido
A Polícia Federal investiga se deputados estaduais do Rio que vão entrar no recém-fundado PSD adulteraram suas fichas de filiação, assinando-as com data retroativa, para aparecerem como fundadores do partido e não perderem o mandato por infidelidade.

Estima-se que entre dez e 12 parlamentares fluminenses terão deixado seus partidos para aderir à nova legenda, liderada no Rio pelo ex-deputado federal e ex-candidato a vice-presidente da República, Índio da Costa, antes do DEM.

Na manhã de segunda-feira, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão, a partir do Tribunal Regional Eleitoral (TER-RJ), nas casas do deputado estadual Ricardo Henriques, em Campos, e de Fábio Lins e Silva, membro da executiva municipal e aliado próximo de Índio da Costa, e em sedes do partido no Estado. O objetivo da PF era identificar fraudes na lista de deputados e de eleitores para a criação da legenda.

A legislação da fidelidade partidária determina que deputados podem aderir a outro partido e manter o mandato apenas se forem fundadores, participando da constituição de uma nova sigla.

Entretanto, apesar da criação do PSD ter sido autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 28 de setembro, nesta terça-feira (4) era grande a movimentação do partido e de aliados com o objetivo de cooptar novos parlamentares na Assembleia Legislativa (Alerj) para a sigla, que fará parte da base de apoio ao governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

Índio da Costa, o secretário de Governo do Estado do Rio, Wilson Carlos, e o presidente da Casa, Paulo Melo (PMDB) passaram a terça-feira reunidos na Alerj, em sucessivos encontros com deputados. O ex-presidente da Casa e candidato derrotado ao Senado Jorge Picciani (PMDB) também participou das articulações políticas para levar políticos com mandato para o novo partido.

Um deputado que conversou com o iG contou ter ficado preocupado ao saber que teria de assinar a ficha de filiação com data retroativa, como fundador do partido, para não correr o risco de perder o mandato. “O papel aceita tudo”, ratificou um assessor parlamentar que ajudou nas conversas.

Quatro novos integrantes do PSD – Roberto Henriques, Samuel Malafaia, Fábio Silva e Iranildo Campos – eram do PR, partido liderado no Rio pelo ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho, mas já votavam com o governo. Além deles, devem ingressar na legenda Dica (ex-DEM) e André Corrêa (ex-PPS), entre outros.

O iG telefonou para o celular de Índio da Costa e deixou recado explicando o teor da reportagem, mas não conseguiu contato.

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