Petistas ajudam Kassab a neutralizar discurso de Haddad em SP

Para colegas de partido do pré-candidato do PT, operação força diálogo com grupo do prefeito

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Com a decisão de delegar ao prefeito Gilberto Kassab poder para decidir a política de alianças em São Paulo, o PSD desmontou a estratégia elaborada pelo PT para manter a aproximação entre os partidos em banho-maria sem desagradar nem a militância nem os caciques. Segundo petistas, a manobra contou com apoio de integrantes do conselho político da campanha de Haddad.

Posição: PT reitera que vai priorizar alianças na base de Dilma
Negociação: Kassab nega usar PT para forçar aliança com PSDB
Estratégia:
Kassab tem carta branca para lançar Afif ou negociar com PT
Reação:
Alckmin reage e nega que conversas com PSD estejam encerradas

AE
Prefeito contou com auxílio de integrantes do conselho político da campanha do PT
O pré-candidato e mais de 20 dirigentes petistas que compõem o conselho passaram mais de quatro horas reunidos na manhã de sábado em um hotel no centro de São Paulo elaborando o discurso a ser adotado por Haddad em relação ao PSD e à política de alianças.

Antes mesmo de a reunião terminar Kassab já sabia com detalhes que Haddad falaria em dar prioridade às conversas com os partidos da base do governo Dilma Rousseff (PMDB, PSB, PDT, PC do B e PR) e deixaria o PSD em segundo plano. O argumento para tirar do foco o partido de Kassab seria o fato de o prefeito não ter feito contatos institucionais com as instâncias de direção do PT.

“O que existe é só uma conversa entre o prefeito e o ex-presidente Lula. Não tem nada formal”, disse Haddad na saída da reunião do conselho, sábado.

Com a decisão de ontem de delegar formalmente a Kassab um mandato para decidir as alianças em São Paulo, o PSD anulou o discurso de Haddad. “Agora vamos ter que conversar com o Kassab”, disse um dirigente petista.

O comando da campanha de Haddad identificou pelo menos dois integrantes do conselho político que teriam passado informações estratégicas a Kassab. A inconfidência virou motivo de piadas no PT paulistano. “Era para o Kassab ficar sabendo antes. Acontece que tinha tanta gente do PT ligando ao mesmo tempo que acabou congestionando a linha e ele não conseguiu atender”, ironizou um petista.

A possibilidade de aliança entre Kassab e o PT em São Paulo é uma manobra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o apoio de Dilma. O partido está dividido sobre o assunto. Dirigentes na cidade temem por reações negativas da base partidária. Nos últimos oito anos o PT liderou a oposição às gestões de José Serra (PSDB) e Kassab rejeitando tanto as políticas adotadas pelos prefeitos quanto o desmonte das realizações da gestão de Marta Suplicy.

Além disso, os petistas dizem desconfiar que Kassab trabalha em conjunto com Serra para desestabilizar a pré-candidatura de Haddad. Segundo eles, as únicas vantagens seriam em nível federal (com o apoio do PSD ao governo Dilma) e estadual (uma ampla aliança contra o tucano Geraldo Alckmin na eleição pelo governo de São Paulo em 2014). Na capital, o partido teria que arcar com o ônus da alta rejeição a Kassab e ter que explicar a aproximação à militância ligada a movimentos sociais.

    Leia tudo sobre: gilberto kassabfernando haddadptpsdeleições 2012

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG