Para colegas de partido do pré-candidato do PT, operação força diálogo com grupo do prefeito

Com a decisão de delegar ao prefeito Gilberto Kassab poder para decidir a política de alianças em São Paulo, o PSD desmontou a estratégia elaborada pelo PT para manter a aproximação entre os partidos em banho-maria sem desagradar nem a militância nem os caciques. Segundo petistas, a manobra contou com apoio de integrantes do conselho político da campanha de Haddad.

Posição: PT reitera que vai priorizar alianças na base de Dilma
Negociação: Kassab nega usar PT para forçar aliança com PSDB
Estratégia:
Kassab tem carta branca para lançar Afif ou negociar com PT
Reação:
Alckmin reage e nega que conversas com PSD estejam encerradas

Prefeito contou com auxílio de integrantes do conselho político da campanha do PT
AE
Prefeito contou com auxílio de integrantes do conselho político da campanha do PT
O pré-candidato e mais de 20 dirigentes petistas que compõem o conselho passaram mais de quatro horas reunidos na manhã de sábado em um hotel no centro de São Paulo elaborando o discurso a ser adotado por Haddad em relação ao PSD e à política de alianças.

Antes mesmo de a reunião terminar Kassab já sabia com detalhes que Haddad falaria em dar prioridade às conversas com os partidos da base do governo Dilma Rousseff (PMDB, PSB, PDT, PC do B e PR) e deixaria o PSD em segundo plano. O argumento para tirar do foco o partido de Kassab seria o fato de o prefeito não ter feito contatos institucionais com as instâncias de direção do PT.

“O que existe é só uma conversa entre o prefeito e o ex-presidente Lula. Não tem nada formal”, disse Haddad na saída da reunião do conselho, sábado.

Com a decisão de ontem de delegar formalmente a Kassab um mandato para decidir as alianças em São Paulo, o PSD anulou o discurso de Haddad. “Agora vamos ter que conversar com o Kassab”, disse um dirigente petista.

O comando da campanha de Haddad identificou pelo menos dois integrantes do conselho político que teriam passado informações estratégicas a Kassab. A inconfidência virou motivo de piadas no PT paulistano. “Era para o Kassab ficar sabendo antes. Acontece que tinha tanta gente do PT ligando ao mesmo tempo que acabou congestionando a linha e ele não conseguiu atender”, ironizou um petista.

A possibilidade de aliança entre Kassab e o PT em São Paulo é uma manobra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o apoio de Dilma. O partido está dividido sobre o assunto. Dirigentes na cidade temem por reações negativas da base partidária. Nos últimos oito anos o PT liderou a oposição às gestões de José Serra (PSDB) e Kassab rejeitando tanto as políticas adotadas pelos prefeitos quanto o desmonte das realizações da gestão de Marta Suplicy.

Além disso, os petistas dizem desconfiar que Kassab trabalha em conjunto com Serra para desestabilizar a pré-candidatura de Haddad. Segundo eles, as únicas vantagens seriam em nível federal (com o apoio do PSD ao governo Dilma) e estadual (uma ampla aliança contra o tucano Geraldo Alckmin na eleição pelo governo de São Paulo em 2014). Na capital, o partido teria que arcar com o ônus da alta rejeição a Kassab e ter que explicar a aproximação à militância ligada a movimentos sociais.

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