Peça a que Dilma assistiu fala de loucura e lei do absurdo

Sem carro oficial, presidenta viu 'A Lua vem da Ásia', estrelada pelo ator Chico Diaz, em Brasília; peça vai para São Paulo agora

Andréia Sadi, iG Brasília |

Em recente entrevista a jornais argentinos , a presidenta Dilma Rousseff admitiu que o que menos lhe agrada no exercício do cargo é a ‘’falta de liberdade" e a dificuldade de "se movimentar” para fugir do assédio da imprensa e do forte esquema de seguranças. Por conta disso, a petista tem evitado sair do Palácio do Alvorada, residência oficial, desde que assumiu o cargo. Mas, neste final de semana, a petista abriu uma brecha  para prestigiar a peça A Lua vem da Ásia , monólogo que tem a “loucura” como tema central e é baseado em um livro (1956) do escritor mineiro Walter Campos de Carvalho.

“Vocês deveriam ver esta peça”, recomendou a ex-ministra após a apresentação no CCBB ( Centro Cultural Banco do Brasil Brasília ). No palco, o ator Chico Diaz é Astrogildo, personagem que conta, em forma de diário, momentos de sua vida desafiando “a lógica do mundo em que vive, tornando-se o narrador de um mundo governado pela lei do absurdo”. 

O espetáculo encerrou a temporada em Brasília no domingo e já passou dois meses em cartaz no CCBB Rio – foram mais de 40 sessões. Na capital federal, foram 16 sessões. Na véspera da peça, Dilma recebeu o ator Chico Diaz no Planalto após recomendação do secretário-executivo da Casa Civil, Beto Vasconcelos. “Quem deu a dica para Dilma foi o Beto que já tinha assistido à peça e adorou”, contou Rodrigo Machado, assessor da peça.

AE
Dilma, ao sair de carro perto do Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília
Na sexta-feira, a presidenta manifestou a Chico desejo de acompanhar o espetáculo, mas não confirmou presença. No sábado à tarde, quatro seguranças da Presidência foram até o CCBB para vistoriar o local que receberia a convidada.

“A gente ficou sabendo em cima da hora, mas o diretor ( Moacir Chaves ) pediu que não fosse alardeado, muito menos para a imprensa. Quando ela chegou, todo mundo aplaudiu. Chico ficou emocionado”, disse Rodrigo.

Dilma foi ao teatro com o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), e a primeira-dama do Estado, Fátima Mendonça, que é amiga do ator Chico Diaz. Após o espetáculo, Dilma foi ao camarim cumprimentar Diaz. Eles brindaram com champanhe. "Ela ( Dilma ) é fã do Campos de Carvalho", comentou o ator após a peça. "Só o fato dela vir aqui ao teatro é muito bacana", afirmou Diaz.

Wagner estava em Brasília para tratar com Dilma dos preparativos da viagem para a China, na semana que vem. Segundo sua assessoria, o governador da Bahia é um dos políticos que acompanhará a comitiva da presidenta. A peça agora segue para temporada em São Paulo e ainda pode passar por Salvador, na Bahia.

Estilos presidenciais

Apesar de mineira, quando era ministra da Casa Civil, Dilma passava finais de semana em Porto Alegre, onde construiu sua carreira política ao lado da família. Com o ex-marido e amigo Carlos Araújo e a única filha, Paula, Dilma costumava passear pelas ruas da capital gaúcha sem ser incomodada pela imprensa. Eleita presidenta, a petista optou majoritariamente por passar os finais de semanas, sem agenda oficial, no Alvorada, ao lado da mãe, Dilma Jane, e da tia Arilda.

O antecessor Luiz Inácio Lula da Silva alternava os finais de semana entre Brasília e São Bernardo do Campo, seu berço político, onde voltou a morar depois de deixar o cargo. No entanto, na Presidência, era raramente visto em locais públicos como cinema e teatros, mesmo na companhia da então primeira-dama Marisa Letícia. Assim que deixou o cargo, no final de janeiro, o ex-presidente voltou à vida de cidadão comum e acompanhou uma partida entre Corinthians e São Bernardo do Campo, pelo Campeonato Paulista .

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