Candidato do PT à Prefeitura de São Paulo alfinetou José Serra por 'pensar em questão nacional' na disputa municipal

No dia seguinte à oficialização da pré-candidatura de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo, o pré-candidato do PT, Fernando Haddad, reagiu às declarações do tucano, que procurou nacionalizar a disputa em seu primeiro discurso.

Leia também: Ao formalizar candidatura, Serra nacionaliza disputa em São Paulo

Candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, evita críticas diretas a Kassab (14/12/2011)
Agência Brasil
Candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, evita críticas diretas a Kassab (14/12/2011)

"Há quem diga que disputará em 2014. Quer dizer, nem realizada a eleição de 2012 já pensam na questão nacional (...) O paulistano quer um prefeito que cumpra seu mandato", disse o petista em entrevista ao Terra TV nesta quarta-feira.

Durante a entrevista, Haddad ressaltou que as próprias lideranças do PSDB - como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente nacional do partido, deputado federal Sérgio Guerra (PE), e até o senador presidenciável Aécio Neves (MG) - não descartam a possibilidade de Serra participar da eleição presidencial de 2014.

O pré-candidato do PT disse que seu interesse está no futuro da cidade de São Paulo e não no "futuro do País" ou nas "duas visões distintas de Brasil", como mencionou o tucano em seu discurso na terça-feira."Estamos interessados na cidade e não estamos pensando num segundo passo: o que será de mim daqui a dois anos", alfinetou.

Na opinião de Haddad, o PT acertou na estratégia de lançar um nome novo em 2012 e que o PSDB "ensaiou" implementar a mesma iniciativa, mas que "se sentiu inseguro e recuou". O petista citou os governadores Cid Gomes (PSB/CE), Eduardo Campos (PSB/PE), Marcelo Déda (PT/SE), Sérgio Cabral (PMDB/RJ) e até o ex-tucano e prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), como exemplos da nova geração de administradores que renovaram "com a força da boa política".

Apesar de afirmar que o sentimento geral da população paulistana é de "abandono", Haddad evitou críticas diretas ao prefeito Gilberto Kassab (PSD) e não quis dar nota à sua administração. "Não gosto de dar nota para administrador público, acho que é a população quem tem de dar", justificou. No entanto, ao opinar sobre o preço da tarifa de ônibus na cidade (que é de R$ 3), o petista disse que o valor é incompatível com o bolso dos usuários e que a qualidade da integração do sistema está aquém das necessidades da cidade. "O prefeito carregou no reajuste", criticou.

O petista voltou a dizer que se sente aliviado com a opção de Kassab por Serra e o fim do flerte com sua candidatura, mesmo com os elogios do prefeito ao candidato petista. "A militância, de uma maneira geral, estava muito refratária a essa aproximação. Eu também estava me sentindo um pouco desconfortável", revelou.

Com Valor Online e Agência Estado

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.