Paulinho ironiza Mantega e chama ministro de 'insensato'

Após Mantega afirmar que governo não negocia mudança no Imposto de Renda, deputado sugere que ministro 'troca figurinha' com FHC

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Em novo capítulo da tensão vivida entre o governo Dilma Rousseff e as centrais sindicais, a Força Sindical manifestou, em nota assinada pelo seu presidente, deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), indignação diante da declaração do ministro Guido Mantega (Fazenda), segundo a qual o governo nem sequer estuda corrigir a tabela do Imposto de Renda.

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O deputado Paulo Pereira da Silva, que tomou a dianteira nas críticas ao novo governo, durante ato na Paulista, na semana passada
A correção é uma das principais reivindicações das centrais feitas à gestão Dilma. A nota foi emitida no mesmo dia em que a presidenta endureceu o discurso contra os líderes sindicais e pediu que seja cumprido o acordo entre governo e centrais em torno do salário mínimo – que prevê reajuste de acordo com a variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

As centrais cobram que o salário mínimo seja reajustado para R$ 580, mas o governo propõe que o valor fique em R$ 545. Pedem ainda que a tabela do IR seja corrigida em 6,4%, para que, quem ganha até uma determinada faixa salarial, não tenha os vencimentos retidos pelo imposto.

“A declaração irônica do ministro da Fazenda, Guido Mantega, revela todo o seu desprezo pelos temas sociais. Ao negar o estudo para corrigir a tabela do Imposto de Renda, o ministro menosprezou a importância do diálogo democrático, estabelecido entre as Centrais Sindicais e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da República, Gilberto Carvalho, em reunião realizada no Palácio do Planalto a pedido da presidente Dilma”, escreve Paulinho da Força, fazendo referência ao primeiro encontro entre as lideranças e representantes do governo desde 1º de janeiro. A reunião aconteceu na última quarta-feira.

Uma das principais críticas dos sindicatos em relação ao novo governo é que, na avaliação dos dirigentes, Dilma não teria dado a eles espaço para a discussão de temas de interesse dos trabalhadores.

Na nota, o deputado lembrou que a reunião entre Carvalho e as centrais contou com a presença do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa – que, segundo Paulinho, “confirmou, diante dos presentes, o andamento do estudo do governo sobre a correção da tabela do Imposto de Renda”.

Mantega foi chamado, na nota, de “insensato” por ter voltado de férias – “em Trancoso, região nobre do Estado da Bahia frequentada por parte da elite brasileira” – disposto a “implantar a agenda econômica derrotada nas últimas eleições”.

“Vale lembrar que o ex-presidente FHC passou as férias recentemente na mesma localidade”, provocou Paulinho. “Será que ambos não se encontraram e ‘trocaram figurinhas’ sobre o receituário do arrocho fiscal, da restrição ao crédito e do achatamento dos salários?”, continua o presidente da Força.

Assim como já havia feito anteriormente, Paulinho evocou a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para dizer que, durante seu governo, os trabalhadores foram “beneficiados” por meio do diálogo.
Horas antes da manifestação, Dilma havia sinalizado que o governo não está disposto a abrir concessões em torno do reajuste e disse que a discussão sobre correção do IR nada tinha a ver com a questão.

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