Pastor diz que viu 'maço de notas' nas mãos de deputado em SP

Em depoimento na corregedoria, testemunha reforça denúncia de deputado sobre venda de emendas na Assembleia Legislativa de SP

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"Vi Fabrício entregar nas mãos do deputado José Antonio Bruno (DEM) um maço de notas de R$ 100", afirmou a testemunha C.A.A.V., em depoimento na Corregedoria-Geral da Administração (CGA). As notas de R$ 100 teriam origem em suposto esquema de venda de emendas parlamentares na Assembleia Legislativa de São Paulo, denunciado pelo deputado Roque Barbiere (PTB).

Leia também: "30% dos deputados paulistas vendem emendas"

A cena relatada ocorreu em agosto de 2009, enfatiza o depoente, que se identifica como "pastor evangélico autônomo". O depoimento reforça ainda mais a denúncia de Barbiere, segundo quem deputados estaduais paulistas negociam sua cota de verbas no Orçamento do Executivo, por meio das emendas, com prefeitos e empreiteiras.

Ainda conforme o depoente, um homem identificado apenas como "Fabrício" frequentava o gabinete do parlamentar, mas não era funcionário: "Houve uma oportunidade em que Fabrício chegou muito eufórico na sede do gabinete, cumprimentou a todos e entrou direto na sala do deputado", relata.

A porta da sala de Bruno ficou entreaberta. "Então, eu ouvi ele (Fabrício) dizer ao deputado José Antonio Bruno: ‘Deputado, tá aqui a emenda’. Ato contínuo eu vi Fabrício entregar nas mãos do deputado um maço..."

Zé Bruno, como é conhecido, exerceu mandato no período 2007-2010. Deixou o Legislativo estadual em março passado. Hoje se dedica à Resgate, sua banda musical. Ele é guitarrista e vocalista. O ex-deputado nega a acusação. "Não faço isso", afirmou.

Porém, ele próprio disse suspeitar que um assessor da Casa identificado apenas como "Cremonesi" participasse de negociações para a venda de emendas.

Os nomes são apontado em procedimento oficial da CGA, a corregedoria que é vinculada diretamente ao gabinete do governador. A CGA está na estrutura da Casa Civil. Atua na prevenção e no combate à corrupção nos órgãos da administração.

A apuração foi aberta porque a preocupação do governo é se o episódio pode ter provocado alguma lesão aos cofres públicos do Estado.

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