Para Serra, oposição está 'engatinhando'

Tucano evita comentar eleições 2012 e diz que o momento é de fiscalizar e cricitar o governo Dilma

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) esteve nesta quarta-feira em Porto Alegre, capital gaúcha, para proferir uma palestra a empresários. Em entrevista coletiva à imprensa, ele evitou comentar o que pretende fazer nas próximas eleições. Para o tucano, o momento é de fiscalizar e criticar o governo federal, tarefa na qual, segundo ele, a oposição estaria “engatinhando”.

“A oposição tem que se organizar para o trabalho da sua natureza, que é a crítica, fiscalização, cobrança e sugestões. A oposição tem que fazer isso o tempo inteiro. Até os eleitores do PT esperam que a oposição faça isso, porque é bom para o Brasil. A qualidade de um governo também depende da qualidade da oposição. A oposição está engatinhando nisso, e esse é um problema fundamental”, afirmou Serra.

Exercendo a crítica ao governo de Dilma Rousseff , que qualificou como “hesitante”, Serra questionou as medidas anti-inflação e a política cambial, que estariam levando o Brasil a um processo de desindustrialização. Uma “herança maldita” do governo Lula, segundo Serra, para quem o governo anterior não combateu a inflação e não investiu em infraestrutura.

Divulgação
José Serra durante palesta em Porto Alegre sobre reforma política

PSD e fusão

Serra fugiu de todas as perguntas dos jornalistas sobre a possibilidade de se candidatar à Prefeitura de São Paulo em 2012 ou tentar o Palácio do Planalto mais uma vez. Da mesma forma, desviou de questionamentos sobre as disputas internas no PSDB. O tucano também preferiu não comentar as declarações do ex-presidente de honra do DEM Jorge Bornhausen, que em entrevista ao jornal Estado de S.Paulo afirmou que existe um “vácuo” de liderança na oposição. “É uma análise do Bornhausen. Acho que o problema é mais coletivo, do conjunto da oposição”, destacou.

Serra classificou como “fofocas” e “surrealismo” os boatos sobre sua suposta participação, nos bastidores, na criação do PSD, partido idealizado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Já sobre a possibilidade de os partidos de oposição se unificarem, o tucano afirmou que “ninguém é eleito para fazer fusão”. “Na verdade, você pode e deve manter uma política de alianças, e questões de fusão devem ser examinadas mais gradualmente”, completou.

Reforma política

O ex-governador falou sobre reforma política em um encontro da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul. Serra afirmou que o atual sistema eleitoral brasileiro enfraquece os partidos, encarece as eleições e afasta os políticos de seus eleitores. O tucano se disse contra o financiamento público de campanha, porque criaria uma “indústria de candidatos”, e defendeu a aprovação pelo Congresso Nacional de uma lei que garantiria, já para 2012, o voto distrital para municípios com mais de 200 mil eleitores.

“Não é algo que contrarie interesses circunstanciais”, destacou. “Na questão para deputado, defendo o voto distrital misto, mas é mais complicado porque mexe com o futuro dos próprios deputados que devem votar a mudança”, ressalvou. Serra questionou ainda a forma como a reforma política está tramitando, com duas comissões no Senado e na Câmara. “Evidentemente isso não se fará de maneira a ter efeito nas eleições próximas de 2014”, avaliou. Depois da palestra, o tucano foi ao Palácio Piratini a convite do governador Tarso Genro (PT).

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