Para PSB, Ciro aceitou desistir de candidatura

Oficialmente, desistência será anunciada na reunião da Executiva do PSB, no próximo dia 27

Adriano Ceolin e Andreia Sadi, iG Brasília |

A cúpula do PSB acredita que convenceu o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) a não mais insistir em sua candidatura a presidente da República. Pela manhã, Ciro foi chamado para uma conversa com o presidente do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, na casa do vice-presidente nacional da legenda, Roberto Amaral.

Os dois argumentaram que o PSB precisa começar a fechar seus palanques estaduais e que a candidatura própria estava atrasando esse processo. Após o encontro na casa de Roberto Amaral, Ciro foi almoçar em uma churrascaria em Brasília com sua mãe, Ana. Depois, ele viajou para São Paulo e não quis falar com a imprensa. Contatado pelo por telefone, Ciro atendeu educadamente, mas insitiu que nada falaria sobre sua candidatura.

Na prática, o partido isolou-se, sem que Ciro tenha avançado nas pesquisas além dos 8% a 10% das intenções de voto. Por isso, a maioria dos diretórios regionais já prefere apoiar a candidata do PT, Dilma Rousseff, indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O deputado argumentou que não pode carregar sozinho o ônus da desistência de sua candidatura. Ficou combinado que a formalização da decisão na reunião da Executiva do PSB, no próximo dia 27, servirá para que o ônus da retirada da candidatura seja dividido por todos no partido. 

Um grupo encarregado de ouvir os diretórios estaduais levará à Executiva uma carta com a proposta de arquivamento da candidatura própria, previamente combinada com Ciro, mas que terá que ser oficialmente encampada pela Executiva. Em outras palavras,  a direção do PSB assume a responsabilidade pela desistência da candidatura própria, e Ciro ganha uma saída honrosa.

Ciro disse aos dirigentes do PSB que, depois da reunião da Executiva, pretende tirar uma licença da Câmara de Deputados e sair de circulação. Acenou, inclusive, que voltaria a tempo de ajudar o partido nas campanhas estaduais. Principalmente em São Paulo, onde o candidato ao governo deverá ser Paulo Skaf.

No ano passado, Ciro transferiu seu título eleitoral para a capital paulista. Na época, havia a possibilidade de ele firmar aliança com o PT e disputar o Palácio dos Bandeirantes.

A cordialidade com que o até então candidato recebeu as argumentações e aceitou as propostas deu aos dirigentes do PSB a sensação de que está tudo resolvido. Mas, na verdade, em relação ao temperamento do deputado cearense, não há quem tenha certeza de que ele seguirá o script.

O PT e Lula atuaram pela desistência de Ciro. Por isso, o PSB vai cobrar em troca o apoio do partido do presidente na solução de impasses em pelo menos quatro Estados (São Paulo, Espírito Santo, Piauí e Rio de Janeiro), além do Distrito Federal.

A saída de Ciro ganhou força na quarta-feira durante jantar em que participaram o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel _um dos coordenadores da campanha de Dilma.

Lula também atuou em outra frente para evitar desgaste com o PSB. Na tarde de quinta-feira, chamou Campos e Cid Gomes, governador do Ceará e irmão de Ciro, para uma reunião no Centro Cultural do Banco do Brasil, sede provisória do Executivo.

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