Para Miriam Belchior, gasto com custeio não pode ser 'satanizado'

Nova ministra do Planejamento diz que reuniões deverão definir o tamanho do arrocho fiscal nos próximos dias

Danilo Fariello, iG Brasília |

A nova ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, confirmou hoje que haverá um contingenciamento nos gastos do país em 2011. “As receitas no projeto orçamentário estão muito acima daquelas que são previstas por nós.” Miriam participou de uma entrevista coletiva após a sua cerimônia de posse.

Segundo Miriam, os gastos de custeio não podem ser satanizados. “Essa satanização é comum e eu quero lembrar que Bolsa Família e gastos de saúde são custeio, o que os torna diferentes de gastos internos da máquina.” Ela lembrou, ainda, que recursos para manutenção de rodovias também entram na rubrica de custeio, para defender a ideia de que parte do custeio também pode gerar retornos maiores ao país no longo prazo. “Temos que tomar cuidado de não colocar tudo no mesmo saco.”

No entanto, Miriam assegurou que há uma preocupação no governo com relação à descrença do mercado financeiro quanto à capacidade do país de controlar gastos e até com relação à uma suposta “maquiagem” dos resultados. Segundo ela, as alterações no ritmo de gastos em 2009 foram “absolutamente necessárias” e que em 2010, o “céu não esteve tão azul”, por isso não via tanta preocupação com o tema. Mas, agora, afirmou que haverá cuidado maior.

Miriam Belchior confirmou a declaração da ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, que disse, pela manhã, que está em estudo um reajuste do Bolsa Família.

A ministra afirmou que terá uma reunião amanhã com a secretária de Orçamento Federal, Célia Correa, que será mantida no cargo. Ela ainda indicou, também, que não há definição acerca do preço final dos cortes. “O tamanho e o contorno deverão ser decididos mais adiante”, afirmou. As reuniões ocorrerão ainda neste mês.

A ministra assegurou que devem ser preservados do corte os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Temos feito isso desde 2007 e não há razão para mudar.” Miriam declarou, ainda, que procurará acelerar as iniciativas de Parcerias Público Privadas (PPPs).

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