Para ministro do STF, empresas não poderiam doar para campanhas

Dias Toffoli diz que empresa não vota, quem vota é o cidadão, que deveria ser o responsável, junto do governo, pelo financiamento

Severino Motta, iG Brasília |

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, disse nesta sexta-feira que o sistema de doações eleitorais deveria ser reformulado no país. De acordo com ele, empresas, que não votam, também não deveriam financiar campanhas. As coligações deveriam obter recursos públicos e diretamente dos eleitores.

“Pessoa jurídica não vota. Quem vota é o cidadão. [A doação de empresas] faz com que o cidadão deixe de participar do processo eleitoral com sua contribuição. É muito mais cômodo [à coligação] ir a uma grande empresa, banco, do que ir atrás dos cidadãos (...) Tenho até dúvidas se a Constituição permite doação de pessoas jurídicas”, disse.

Toffoli também disse que pode haver conflitos entre os interesses empresarias e da sociedade. Havendo ainda a possibilidade de companhias controladas por capital estrangeiro exercerem influência nas eleições, o que iria contra o espírito da lei que proíbe doações vindas do exterior.

O ministro não afirmou que o financiamento público, somado ao dos eleitores, seria capaz de combater o caixa 2 das campanhas, mas disse que tal medida seria um avanço nesse sentido. “O que se busca é isso”.

Por fim o ministro disse que a sociedade brasileira deve debater os métodos tradicionais de escolha dos candidatos. Ele citou o modelo americano, em que há prévias para se decidir quem vai representar o partido nas eleições.

“Temos a liberdade de optar e escolher o candidato. E a discussão de quem escolhe os candidatos? São escolhidos nos gabinetes. Devemos nos deparar com esse debate”.

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