Cotada para a disputa em Vitória, ministra da Secretaria de Mulheres diz que participação feminina na política ainda é tímida

Cotada pelo seu partido, o PT, para disputar a prefeitura de Vitória, capital do Espírito Santo, a ministra da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, Iriny Lopes, acredita que as mulheres podem ajudar a aprofundar o debate político. “As mulheres na política trazem com mais profundidade o debate sobre questões importantes para o desenvolvimento, como a erradicação da pobreza e miséria”, diz a ministra.

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Para Iriny Lopes, a presidenta Dilma Rousseff é uma referência para as mulheres, mas admite que a presença feminina ainda é muito tímida. “Elegemos uma presidenta, subimos para 10 o número de ministras e a nomeação de mulheres para os cargos do segundo escalão cresceu 75%. Mas, apesar dos avanços, as mulheres ainda têm pouca presença”, analisa.

A ministra respondeu por email ao iG a perguntas referentes às eleições de 2012. Leia abaixo a entrevista.

iG: O fato de Brasil ter uma mulher na Presidência pode influenciar na quantidade e na qualidade das candidatas em 2012?
Iriny Lopes: A presença das mulheres na política não é uma questão de número ou de comparação entre homens e mulheres. Mas de igualdade de gênero, requisito necessário para alcançarmos a democracia plena e o desenvolvimento com justiça. E é também uma questão de qualidade, pois as mulheres na política trazem com mais profundidade o debate sobre questões importantes para o desenvolvimento, como a erradicação da pobreza e miséria, a promoção do pleno emprego e renda, saúde, educação, segurança alimentar, o enfrentamento à violência e às desigualdades, dentre outros.

A ministra Iriny Lopes, ao lado da presidenta Dilma Rousseff, na data da posse
Blog do Planalto
A ministra Iriny Lopes, ao lado da presidenta Dilma Rousseff, na data da posse

iG: Como a influência de Dilma Rousseff já pôde ser sentida?
Iriny Lopes: Elegemos uma presidenta, subimos para 10 o número de ministras e a nomeação de mulheres para os cargos do segundo escalão cresceu 75%. Mas, apesar dos avanços, as mulheres ainda têm pouca presença. Se formos comparar esses dados com os dos Legislativos, que têm em média 10% de presença feminina, e o Judiciário, com apenas 15%, veremos que estamos ainda muito longe de alcançar a equidade e a igualdade de gênero nos altos escalões.

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iG: O contexto é favorável às mulheres em 2012?
Iriny Lopes: Ao final do primeiro ano de mandato da presidenta Dilma, a conjuntura demonstra que estamos num contexto político e econômico muito importante que pode incentivar e ampliar a participação das mulheres na política e, com isso, o número de mulheres eleitas prefeitas e vereadoras. A presidenta Dilma é referência não só por ser mulher, mas por ser uma mulher que está fazendo uma gestão importante, tendo com eixo central de seu mandado a erradicação da miséria.

iG: Segundo levantamento do iG, cerca de 50 mulheres poderão ser candidatas a prefeituras de capitais no Brasil. A senhora considera esse número satisfatório?
Iriny Lopes: O Brasil tem 5.565 municípios, na última eleição, apenas 506 prefeitas foram eleitas, e destas, só duas nas capitais, além de 6.503 vereadoras. Uma presença muito tímida. E mesmo para a disputa das capitais, esse número é pouco. Mas espera-se que desta vez as mulheres ocupem mais cargos não só nas prefeituras das capitais.

iG: Há diferenças entre políticos homens e mulheres? Quais são?
Iriny Lopes: Não se trata de haver diferença, mas de uma questão de direitos, de equidade e de autonomia das mulheres no mundo da política e uma questão de democracia e participação.

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