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Para empresários e economistas, Dilma tem superado expectativas

Presidenta é bem avaliada no mundo corporativo por seus primeiros 100 dias de governo, segundo depoimentos reunidos pelo iG

iG São Paulo |

Os primeiros 100 dias do governo de Dilma Rousseff são bem avaliados no mundo econômico e emporesarial, segundo depoimentos colhidos pelo iG . No geral, as declarações dão mostras de que a presidenta teve desempenho melhor que o esperado nesse período, especialmente porque ela tinha o desafio de suceder Lula , que encerrou seu mandato com altos índices de popularidade.

“A presidente conduz o País com firmeza e segurança. Cada vez mais vejo empresários que antes estavam hesitantes e agora a apoiam”, diz Ivo Rosset, presidente do Grupo Rosset, que controla marcas como Valisère e Cia. Marítima. “Estamos otimistas”.

Luiz Fernando Furlan, copresidente do conselho de administração da Brasil Foods, fala em superação de expectativas. “Ela é mais um CEO do que um chairman, presidente do conselho. Ela vive o dia a dia, põe a mão na massa, cobra resultados e não tem paciência com incompetentes”.

Mesmo entre nomes graúdos de fora do Brasil o desempenho da presidenta é bem avaliado. “Lula é um presidente difícil de ser sucedido e acho que a Dilma Rousseff fez um bom trabalho até agora. O principal acerto do novo governo foi promover o aperto na política fiscal”, afirma Jim O’Neill, presidente da gestora de ativos do Goldman Sachs e criador do termo Bric, que designa o grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia e China.

Os depoimentos têm todos um tom positivo, mas há também pontos a serem consertados. “O governo está indo bem, mas falta a ousadia”, diz Yoshiaki Nakano diretor da escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “O governo ainda não mostrou a que veio nas grandes questões da economia. Faltam ousadia, metas claras e objetivos estabelecidos. Tudo o que sabemos vem por baixo dos panos, nos relatórios do BNDES ou do Ministério da Fazenda”.

Adilson Antonio Primo, presidente da Siemens, que considera positivo o desempenho de Dilma em seus 100 primeiros dias, afirma ser ainda cedo para falar em erros do governo. “Mas está faltando um senso de urgência em questões básicas, como a situação do câmbio. As medidas estão sendo paliativas e precisamos de ações mais duras que tenham impacto no curto prazo”, diz.

Leia a seguir alguns dos depoimentos de empresários, executivos e economistas sobre os 100 primeiros dias do governo de Dilma Rousseff.

Adilson Antonio Primo
Presidente da Siemens

“Esse período tem sido positivo. A presidente até o momento tem adotado medidas que mostram uma certa responsabilidade do governo, como o corte no Orçamento para o equilíbrio fiscal. Mas eu acho que nós temos que acelerar algumas decisões, principalmente em termos de política cambial. Isso está trazendo para o Brasil um problema extremamente sério de competitividade”.

AE
O ex-ministro Delfim Netto
Antonio Delfim Netto
Ex-ministro da Fazenda

“A minha nota para os 100 primeiros dias da Dilma é 9,9 (...) Estamos caminhando para uma situação muito melhor do que estava. O novo governo já começou com a proposta de fazer um pouco mais, gastando um pouco menos. A Dilma é uma tecnocrata, que lê os mesmos livros que nós. É uma mulher pragmática e dedicada”.

Cledorvino Belini
Presidente da Fiat para a América Latina

"Os primeiros 100 dias de governo Dilma Rousseff são extremamente positivos. Tudo aquilo que ela se propôs a fazer, está fazendo. Seu principal feito até o momento foi a decisão de reduzir os gastos públicos. Acredito que ela vai conseguir realmente cortar os gastos públicos para conduzir a inflação, se não neste ano, em 2012, ao centro da meta e, por outro lado, permitir a redução dos juros – e, consequentemente, a expansão do crédito".

Ivo Rosset
Presidente do Grupo Rosset

“A presidente conduz o País com firmeza e segurança. Cada vez mais vejo empresários que antes estavam hesitantes e agora a apoiam. Estamos otimistas. Acho que ela deveria combater a inflação com estímulo ao aumento de produção para que uma oferta maior faça baixar o preço dos produtos. Aumentar os juros só onera a produção e atrai para o Brasil um capital nocivo e especulativo”.

Bloomberg/Getty Images
Jim ONeill
Jim O’Neill
Presidente da gestora de ativos do Goldman Sachs e criador do termo Bric

“Lula é um presidente difícil de ser sucedido e acho que a Dilma Rousseff fez um bom trabalho até agora. O principal acerto do novo governo foi promover o aperto na política fiscal. Minha preocupação é com o fato de o governo tentar forçar as grandes empresas a dirigir a atenção como o governo quer, e não como os acionistas querem. Não estou certo sobre as perspectivas para a sequência do mandato de Dilma, mas espero com ansiedade e grande interesse”.

João Geraldo Ferreira
Presidente da GE no Brasil

"Existe um nível alto de satisfação entre os empresários pela forma como a presidente vem gerenciando os problemas do governo. Seu senso de urgência tem demonstrado foco em objetividade e pragmatismo. O que preocupa hoje é a questão da inflação e da competitividade do Brasil devido à valorização da moeda, que não necessariamente traz uma competitividade positiva".

João Pedro Flecha de Lima
Vice-presidente da Huawei

“Estou muito otimista. A presidente Dilma demontra que veio disposta a fazer o que tem que ser feito para termos um país melhor. Acredito que ela vai levar adiante reformas estruturais como a trabalhista, a tributária e, quem sabe, a política”.

Laércio Cosentino
Presidente da Totvs

AE
Laércio Cosentino, presidente da Totvs

"Nesses 100 dias a presidente vem tentando entender o que está acontecendo para tentar fortalecer o Brasil. Ela está escutando os empresários. Ela surpreendeu as expectativas ao introduzir uma nova forma do governo, diferente da que tivemos nos últimos oito anos. A expectativa era que houvesse continuidade na forma como Lula administrava o País, mas o que se provou é que o foco do governo Dilma se voltou mais à gestão do País do que a questões políticas".

Luiz Carlos Batista
Criador da Insinuante e da Máquina de Vendas

"O governo está dentro das condições normais de temperatura e pressão nesses primeiros 100 dias. Tudo ainda conspira a favor da presidente e o desempenho é positivo".

Agência Estado
Luiz Fernando Furlan
Luiz Fernando Furlan
Copresidente do conselho de administração da Brasil Foods

"Os 100 primeiros dias do governo Dilma foram acima das expectativas. Ela é mais um CEO do que um chairman, presidente do conselho. Ela vive o dia a dia, põe a mão na massa, cobra resultados e não tem paciência com incompetentes. A surpresa é que a opinião pública e a população valorizam essas qualidades, o que dá condições para que ela se concentre no trabalho e não precise usar muito do seu tempo para fazer política. Essa parte política ela está compartilhando, não dando tanta ênfase para essas questões como o presidente Lula dava. Ele é um ser político nato".

Marcos de Marchi
Presidente da Rhodia América Latina

"As questões principais do Brasil estão bem endereçadas na área da competitividade e em toda a agenda para defender a indústria. O que nós esperamos é que o governo a partir de agora transforme tudo isso em realidade, com incentivos à produção local e à exportação, como a desoneração tributária e da folha de pagamento".

Wilson Amaral
CEO da Gafisa

"A presidente tem se mostrado uma gestora de personalidade, com atitudes coerentes e autênticas. Ela conseguiu provar que possui luz própria, grande capacidade e conhecimento para administrar o Brasil. Dilma Rousseff está agindo em consonância com as ideias discutidas nas inúmeras reuniões com o setor da construção civil realizadas nos últimos anos, quando ocupava o cargo de ministra-chefe da Casa Civil".

Yoshiaki Nakano
Diretor da escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

“A impressão geral desses 100 dias é muito melhor do que eu esperava. É um governo mais técnico e menos ideológico do que se poderia imaginar de um governo do PT. Mas, o governo ainda não mostrou a que veio nas grandes questões da economia. O governo está indo bem, mas faltam ousadia, metas claras e objetivos estabelecidos. Tudo o que sabemos vem por baixo dos panos, nos relatórios do BNDES ou do Ministério da Fazenda”.

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